Dia do Grito

A história por trás de um dos mais desconhecidos feriados, celebrado em Olinda

10 NOV 2018Por Elda/internet00h00

Muita gente não sabe, mas o dia 10 de novembro tem marca no calendário e é até feriado em municípios como Olinda: é o dia do grito.

 

Isso porque, dada a vocação pernambucana em ser pioneira, foi na cidade que ocorreu o primeiro grito de república da América Latina, há pouco mais de 300 anos. O marco ocorreu no “senado da câmara” olindense, próximo de onde hoje funciona o Mercado da Ribeira, no bairro do Carmo, ainda que tudo que tenha sobrado da plataforma política tenha sido uma estrela prateada que recontava o ocorrido, de 1710. A rua foi rebatizada com o autor do grito, Bernardo Vieira de Melo, ainda que pouco tenha mudado no tal dia.

A república, significa “coisa pública”, mas não foi pensada por Bernardo Vieira de Melo como sendo algo público. O vereador, para começar, era senhor de engenho e não pensava em libertar os escravos. Eles não fariam parte do “povo”. Ainda como capitão-mor, Vieira de Melo participou do extermínio do quilombo dos Palmares juntamente com o bandeirante Domingos Jorge Velho e foi responsabilizado pela morte de quase 400 negros. “A escravidão não seria abolida naquele momento porque a sociedade a enxergava como normal. Era o pensamento da época e isso não siginifica que todas as pessoas eram ruins. É importante dizer isso porque muita gente pensa que as pessoas eram más”, explica o doutor em história pela UFPE Marcos Carvalho. “Mesmo os ex-escravos tinham escravos.” Para se ter uma ideia de como a escravidão era comum, Vieira de Melo se tornou governador do Rio Grande do Norte por sua atuação no quilombo dos Palmares. Sua atuação foi “reconhecida” a ponto de nomear importantes vias tanto em Natal, como em cidades do porte de Jaboatão dos Guararapes.

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