Dia Mundial da Solidariedade Cristã

O homem que chegou à maturidade é alguém que reconhece o seu lugar no mundo e na sociedade.

10 AGO 2018Por Elda/internet05h00

A palavra solidariedade evoca sempre o laço de assistência recíproca nos momentos de necessidade que une as pessoas, mas também os laços de afeto moral que os une à comunidade e à qual pertencem. Ela significa também ajuda recíproca em todos os campos: espiritual, material, pastoral, humano, especialmente nos momentos de necessidade e de dificuldade

 

Solidariedade é uma palavra tão utilizada em nossos dias que se tornou quase um jargão. A apropriação linguística operada por ideologias esquerdistas manipulou o sentido dessa palavra de tal maneira que, hoje, alguns têm até receio de utilizá-la e acabar por gerar incompreensão. Tão vasto é seu emprego, até mesmo o anarquista francês Pierre-Joseph Proudhon fez uso da expressão: "Suprimamos as tarifas, e assim será declarada a aliança dos povos, reconhecida a sua solidariedade e proclamada a sua igualdade."
 

A "solidariedade" tornou-se hoje um subterfúgio, afinal, se o Estado é sempre o responsável pelos problemas sociais, suprime-se o dever de cada pessoa com relação ao bem comum, o que também abre espaço para um paternalismo estatal que nada tem de solidário, mas sim de demagogo. Da mesma maneira, esquivam-se os liberais ao justificarem inúmeras injustiças sob o estandarte da liberdade individual, fazendo da solidariedade apenas uma consequência natural do livre mercado, e não um dever a ser exercido. Como escreveu Paulo VI na encíclica Octogesima adveniens, "o apelo à utopia não passa muitas vezes de pretexto cômodo para quem quer esquivar as tarefas concretas e refugiar-se num mundo imaginário."

O sentido original de solidariedade, no entanto, está fundado nas Sagradas Escrituras. Sua aplicação transformou o mundo ocidental desde a Antiguidade com o amor pregado e vivido — eis a distinção fundamental — pelos primeiros cristãos.

O homem que chegou à maturidade é alguém que reconhece o seu lugar no mundo e na sociedade. Sabe que o organismo social forma uma unidade e que cada parte é responsável pelo todo. Participa na construção do bem comum sem inibições nem complexos, independentemente da categoria da sua contribuição pessoal. O que lhe interessa é colaborar em benefício de todos, sem se importar com a maior ou menor relevância do posto que ocupa. A isso chama-se solidariedade, a qualidade de quem sabe colocar o bem comum acima do seu bem particular.

A solidariedade constitui uma qualidade extremamente importante no nosso clima cultural, permeado de egoísmo individualista. Alguns pensam que é facultativo, que se situa na linha do voluntariado, quando na realidade é uma obrigação de altíssima importância, não exigida pela lei, mas pela consciência pessoal.

Uma pessoa amadurecida já incorporou à sua vida, como tantas outras coisas, o hábito da solidariedade, exercitado em mil pequenas ajudas prestadas na vida ordinária: cuidar dos irmãos menores; prestar um serviço em casa; fazer um favor a um amigo ou colega; assistir um doente ou visitar uma pessoa que precise de apoio; oferecer uma ajuda financeira em momentos de apuro; substituir um colega de trabalho em alguma eventualidade extraordinária... e tantas coisas mais.

Como é que nós podemos formar à solidariedade? Não é um curso académico que nos ensinará a solidariedade mas a vida cheia de experiências de altruísmo e sensibilidades pelos outros. As experiências de comunhão e os serviços de apoio devem ser promovidos neste âmbito. 

Como é que partilhamos com os irmãos os nossos sentimentos, as nossas opiniões, as dificuldades, as dúvidas de fé, as dores provadas no dia a dia?

A solidariedade é o caminho tanto para a paz quanto para o desenvolvimento das nações. Fazer as coisas ordinárias com um amor extraordinário era um dos motes de Madre Teresa de Calcutá, um símbolo de abnegação e de uma vida a serviço do próximo. O ser humano precisa pensar novamente no bem comum. A solidariedade é um dever moral e uma necessidade global. Existem vários pontos de contato entre ela e a caridade; a pura e simples disposição de ajudar já é um grande passo para que se possa fazer a diferença. O Dia Mundial da Solidariedade Cristã vem lembrar que as religiões estão juntas nessa jornada por uma vida melhor.

 

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