Entenda estudo da NASA sobre 'Brasil inabitável' em 50 anos

Entenda como a alta umidade e temperaturas acima de 35ºC podem tornar regiões do país insustentáveis para a vida humana.

27 JUL 2024 Por Redação Ap.Taboado 11h00

Em estudo associado à NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, trouxe à tona preocupações sobre o futuro do Brasil, prevendo que partes do país podem se tornar inabitáveis até 2070 devido ao calor extremo causado pelas mudanças climáticas.

A pesquisa, liderada pelo cientista Colin Raymond e publicada na revista Science Advances em 2020, destaca o aumento dos eventos de calor extremo, que, combinados com alta umidade, podem ser mortais.

O Estudo Original e Suas Repercussões

O estudo original de Raymond não mencionava o Brasil especificamente, mas mapeou eventos de calor extremo entre 1979 e 2017, identificando situações em que a alta umidade e temperaturas acima de 35ºC impediam o corpo humano de se resfriar adequadamente, aumentando o risco de morte. Em março de 2022, um blog da NASA repercutiu o estudo, citando o Brasil como uma das regiões vulneráveis.

Contexto e Previsões

O climatologista brasileiro Carlos Nobre destacou que previsões alarmantes sobre o calor extremo e suas consequências têm sido feitas desde 2010. Nobre ressalta que áreas tropicais e até latitudes médias podem se tornar inabitáveis se a temperatura média global aumentar em 4ºC ou mais acima dos níveis pré-industriais. O Acordo de Paris, por sua vez, visa limitar esse aumento a bem menos de 2ºC, preferencialmente a 1,5ºC.

Impacto no Brasil

Fernando Cesario, líder científico em Soluções Climáticas Naturais da The Nature Conservancy (TNC), explicou que o estudo da NASA antecipa um aumento na frequência e intensidade dos eventos de calor extremo. Segundo ele, regiões costeiras e urbanizadas do Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo, estão entre as áreas mais suscetíveis. Além disso, locais próximos a grandes corpos d'água, como a Baía de Todos-os-Santos e o Rio Amazonas, podem enfrentar evaporação elevada, agravando o calor.

Estresse Térmico e Mortalidade

Nos EUA, o calor é a principal causa de mortes relacionadas ao clima, superando enchentes e tornados. O estudo de Colin Raymond mostrou que, em 40 anos, o número de casos de calor extremo triplicou em várias regiões do mundo. Carlos Nobre destacou que, em condições de calor extremo, pessoas idosas ou muito jovens podem sucumbir em meia hora, enquanto adultos saudáveis podem não resistir por mais de duas horas.

Soluções e Caminhos Futuros

A solução principal para evitar um futuro inabitável é a redução drástica das emissões de gases de efeito estufa. Carlos Nobre enfatiza a necessidade de ações imediatas para estabilizar e reduzir essas emissões. Além disso, a proteção das florestas e o reflorestamento são cruciais para capturar o CO2 e mitigar o aquecimento global.

Fernando Cesario também destacou a importância de utilizar pastagens degradadas para aumentar a produção agrícola sem desmatar, reforçando a sustentabilidade e a proteção ambiental. As mudanças climáticas, impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis desde a Revolução Industrial, estão intensificando eventos extremos como calor excessivo, secas prolongadas e chuvas intensas, exigindo uma resposta global urgente e coordenada.

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