Fazendeiro ameaça retomada indígena no MS

Indígenas Guarani Kaiowá enfrentam ameaças e violência em Douradina enquanto aguardam a demarcação de terras ancestrais

27 JUL 2024 Por Redação Ap.Taboado 10h15

Na noite desta segunda-feira (22), os indígenas Guarani Kaiowá enfrentaram mais um episódio de violência em Douradina (MS). Cerca de 100 fazendeiros, em dezenas de caminhonetes, acenderam os faróis em direção à área retomada na Terra Indígena (TI) Panambi-Lagoa Rica, ameaçando um ataque iminente. Desde que os Guarani Kaiowá ocuparam o território sobreposto pela fazenda de Cleto Spessatto, em 13 de julho, a tensão tem aumentado.

A TI Panambi-Lagoa Rica, já reconhecida e delimitada, tem seu processo de demarcação paralisado desde 2011. Desde a retomada, os Guarani Kaiowá sofreram um ataque, resultando em um indígena baleado na perna. A situação se agravou com a presença constante de um acampamento de produtores rurais a poucos metros do local.

“Essa é nossa área. Somos indígenas Guarani Kaiowá e há centenas de anos esperamos a demarcação da nossa terra”, declara uma das lideranças da retomada. “Não somos invasores. Somos a natureza da terra. Essa aqui é nossa fonte”, enfatiza.

A liderança Kaiowá alerta sobre a violência contínua: “Eles mataram, massacraram, derramaram sangue do nosso povo indígena Guarani Kaiowá. E nesse ano de 2024 continua essa problemática. Precisamos de mais segurança. Eles estão armados ali. Não queremos briga, só queremos a nossa terra.”

A Aty Guasu, Grande Assembleia Guarani Kaiowá, emitiu uma nota de “pedido de socorro”, afirmando que os indígenas estão “sob ataque” e denunciando a destruição de barracas pelos fazendeiros na retomada Panambi. “Fazendeiros roubam nossas terras, roubam nossos objetos e utensílios. Queremos justiça”, clama a assembleia.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) critica a falta de ações efetivas do Estado. “Não houve a presença de um aparato mais sólido do Estado em busca de soluções reais — e até mesmo a ida às regiões de autoridades públicas com peso político. A atuação da Força Nacional é criticada”, destaca o Cimi. Tentativas de negociação com proprietários e políticos locais têm se mostrado insuficientes para interromper as hostilidades.

A situação em Douradina é um reflexo da luta contínua dos Guarani Kaiowá pela demarcação de suas terras ancestrais, em um cenário marcado pela violência e pela necessidade urgente de intervenção estatal para garantir a segurança e os direitos dos povos indígenas.

Leia Também