STF decidirá sobre o direito das testemunhas de Jeová

Sobre a recusa de receber a transfusão de sangue

11 AGO 2024 Por Redação Ap.Taboado 10h15

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou na quinta-feira (8) a análise de uma questão crucial sobre o direito das testemunhas de Jeová de recusarem transfusões de sangue em tratamentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Corte também avaliará se o Estado deve arcar com os custos de tratamentos alternativos que não envolvam transfusão de sangue, prática que é contra as convicções religiosas do grupo.

Dois recursos motivaram o julgamento. O primeiro refere-se ao caso de uma mulher que se recusou a autorizar uma transfusão de sangue durante uma cirurgia cardíaca na Santa Casa de Misericórdia de Maceió. O hospital, respeitando a recusa, não procedeu com o procedimento. O segundo caso envolve um homem do mesmo grupo religioso, que solicitou que o SUS custeasse uma cirurgia ortopédica sem transfusão de sangue e cobresse os custos associados ao tratamento.

Eliza Gomes Morais Akiyama, advogada da mulher que rejeitou a transfusão, destacou as dificuldades enfrentadas pelas testemunhas de Jeová para manter a saúde em consonância com suas crenças. Ela argumentou que o Estado deve garantir tratamentos sem transfusão de sangue como forma de respeitar a dignidade e as convicções religiosas dos pacientes. "A recusa não é um capricho. Recusar transfusão de sangue está estritamente ligado ao exercício da dignidade pessoal e à compatibilidade com suas crenças", afirmou.

Péricles Batista da Silva, defensor público, sugeriu a implementação de um protocolo específico para o atendimento de testemunhas de Jeová, defendendo que a escolha do paciente deve ser respeitada quando os médicos têm conhecimento da condição. "Não há como obrigar um paciente adulto e capaz a receber um tratamento médico", disse Silva.

Henderson Furst, advogado da Sociedade Brasileira de Bioética, reconheceu a importância da autonomia dos pacientes, mas apontou a necessidade de clareza jurídica para os profissionais de saúde. "Como registrar essa autonomia? Um testamento será suficiente? Precisamos de diretrizes mais claras", questionou.

Após ouvir as sustentações das partes, o STF ainda não definiu uma data para a conclusão do julgamento. A decisão terá um impacto significativo sobre a forma como o SUS lida com pacientes que optam por tratamentos alternativos devido a crenças religiosas.

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