O combate aos incêndios no Pantanal sul-mato-grossense mobiliza um imenso aparato de veículos e equipamentos, mas o verdadeiro diferencial está nas pessoas que arriscam suas vidas para proteger o bioma. Desde abril, mais de 1.170 homens e mulheres têm atuado incansavelmente para conter o avanço das chamas, dos quais 714 são do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul. Entre esses heróis, as mulheres têm se destacado, demonstrando força, coragem e dedicação.
A Tenente Letícia Solano, de Campo Grande, é uma dessas mulheres que fazem a diferença. Engenheira ambiental de formação, Letícia ingressou no Corpo de Bombeiros em 2018, após passar por um concurso específico para sua área. Inicialmente, ela acreditava que sua atuação se restringiria a projetos técnicos, mas o destino a levou ao campo, onde tem enfrentado de perto a fúria das chamas no Pantanal.
"Em julho, logo após terminar o curso, já estava no Pantanal, com zero experiência em combate a incêndios florestais. Foi desafiador, mas também um grande aprendizado", conta a Tenente Letícia. Após 15 dias de combate ininterrupto, ela se impressionou com a força do fogo, mas também com a determinação da equipe em vencer o incêndio. "A equipe nunca desanimou. Todos os dias estávamos lá, dando o nosso melhor", relembra.
Outra figura emblemática é a Sargento Katiane Mercado Alves, comandante de uma das guarnições no Pantanal. Natural de Campo Grande, Katiane se voluntariou para as missões no Pantanal desde 2020. Movida pelo amor ao seu estado natal e pela responsabilidade de proteger o Patrimônio Natural da Humanidade, ela destaca a diferença nas condições de combate em relação a anos anteriores, com mais recursos e pessoal disponível.
"É doloroso ver a vegetação e os animais que sempre fizeram parte da minha infância queimando. Isso nos motiva a apagar o fogo o mais rápido possível", afirma Katiane. Para ela, a dura realidade do combate aos incêndios é, paradoxalmente, a realização de um sonho. "Entrar no Corpo de Bombeiros uniu duas coisas que sempre gostei: aventura e salvar vidas", diz com orgulho.
No céu, a Sargento Monalisa Alves Tabaco, mecânica de voo da Força Aérea Brasileira, desempenha um papel crucial no combate aéreo aos incêndios. Responsável pela preparação técnica e monitoramento do KC-390, um cargueiro multiuso capaz de lançar até 12 mil litros de água de uma só vez, Monalisa garante que a aeronave esteja sempre pronta para cumprir sua missão.
"Os incêndios são um desastre natural que ninguém deseja, mas é gratificante poder ajudar no combate", declara Monalisa, que já atuou em outras missões de grande impacto, como o desastre natural em Canoas, no Rio Grande do Sul.
Essas mulheres exemplificam a força e a resiliência necessárias para enfrentar um dos maiores desafios ambientais do país. No Pantanal, onde o fogo devasta e ameaça, são as mãos e corações de pessoas como Letícia, Katiane e Monalisa que fazem a diferença na proteção de um dos biomas mais preciosos do planeta.

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