Doutora Leila Mussi alerta sobre sustentabilidade e preservação de nascentes em meio à seca

Em entrevista, a pesquisadora reforça a importância de proteger as nascentes, combater as queimadas e investir em soluções de longo prazo para evitar a escassez de água na região.

24 SET 2024 Por Redação Ap.Taboado 22h00

Seca e Sustentabilidade: Doutora Leila Mussi Faz Apelo à Preservação Ambiental. Em uma recente participação no programa de rádio Sábado Especial, a renomada pesquisadora Leila Mussi, doutora e colaboradora da Universidade de São Paulo (USP), destacou a urgência de ações voltadas à sustentabilidade, principalmente no que diz respeito à preservação das nascentes e ao combate às queimadas, que têm assolado a região.

Leila, que há anos desenvolve trabalhos com a USP, relatou suas observações durante visitas a mais de 40 propriedades rurais na região, realizadas em parceria com a equipe da Universidade. Um dos pontos mais críticos levantados foi a degradação das nascentes e a importância de sua proteção. “Gente, cerquem as nascentes”, pediu enfaticamente, citando o caso de um pecuarista que, ao cercar uma erosão em sua propriedade, descobriu que a água começou a brotar novamente. “Nasceu uma água naquela voçoroca. E o pecuarista não sabia”.

Além da seca, as queimadas frequentes também foram abordadas, com destaque para o impacto do aquecimento global e a baixa umidade relativa do ar. Leila relatou casos alarmantes, como o incêndio provocado pelo atrito de um caminhão com o asfalto, que rapidamente se espalhou por uma fazenda na região. Ela ressaltou a necessidade de uma abordagem coletiva, que envolve tanto os produtores quanto a população geral, em ações voltadas à preservação ambiental.

Ações Imediatas e Investimentos Necessários

Leila também reconheceu que o custo das ações de preservação é elevado, como o cercamento de áreas, mas defendeu que esse é um investimento necessário. “É caro? Claro que é caro, arame, mão de obra, pau, mas não interessa, é um caro que a gente vai ter que gastar. A preservação precisa acontecer”.

Durante a entrevista, ela reforçou a importância de uma visão a longo prazo, criticando o comportamento imediatista que, segundo ela, pode comprometer a sustentabilidade das futuras gerações. “Imediatista ninguém vai sobreviver. [...] Todo mundo tem filho, todo mundo tem neto, bisneto, que vai acabar”.

Denúncias e Fiscalização no Tratamento de Esgoto

Outro ponto crítico trazido à tona por Leila foi a ineficácia do tratamento de esgoto em Aparecida do Taboado, tema levantado anteriormente por Pedrinho do Banco do Brasil em uma denúncia formal. Segundo Leila, um relatório de fiscalização revelou que o tratamento de esgoto no município está sendo negligenciado, com graves falhas estruturais e vazamentos de efluentes nas fazendas vizinhas. “Quem vai cobrar dessa empresa para fazer isso? Acho que é o Poder Público”, apontou, destacando a necessidade de ação em todas as esferas – estadual, municipal e federal – para resolver a situação.

Sustentabilidade a Longo Prazo

Por fim, a doutora reiterou a importância de se planejar a longo prazo para garantir a sustentabilidade dos recursos naturais, fazendo um alerta sobre o impacto do cultivo de eucaliptos, uma prática que ela considera imediatista e prejudicial ao equilíbrio hídrico. “Eu jamais colocaria eucalipto na minha propriedade. É uma coisa muito imediatista”.

Leila Mussi encerrou sua participação com um apelo emocionado: “Tem que ter preservação. Morrer sem água. Gente, duas coisas assustadoras: sem água e fogo”. Ela frisou que o trabalho em prol do meio ambiente é lento, mas indispensável, e que todos, especialmente os produtores rurais, precisam se comprometer com a preservação dos recursos hídricos e com práticas sustentáveis para garantir um futuro melhor para as próximas gerações.

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