Mestre Miltão: Capoeira como cultura, esporte e luta pela igualdade

O evento, que marcou o batizado e a troca de graduação de seus alunos, foi celebrado no último sábado, dia 23.

26 NOV 2024 Por Redação Ap.Taboado 12h47

Na última segunda-feira, Mestre Miltão compartilhou com os ouvintes da Rádio JFM uma rica conversa sobre o recente 14º Encontro de Capoeira realizado em Aparecida do Taboado.

O evento, que marcou o batizado e a troca de graduação de seus alunos, foi celebrado no último sábado, dia 23. Com 14 anos de dedicação à capoeira, Mestre Miltão trouxe à tona questões importantes sobre a prática no Mato Grosso do Sul e os desafios enfrentados.

"Capoeira é cultura, é jogo, é luta e é esporte", destacou Mestre Miltão. Ele lamenta que no estado, a capoeira ainda não seja reconhecida como esporte, o que impede o acesso ao auxílio atleta. Segundo ele, essa lacuna é resultado de uma falta de mobilização efetiva ao longo dos anos. No entanto, o mestre está otimista e já articula com vereadores para criar uma lei que contemple a capoeira nesse aspecto. “Já estamos mexendo o doce para isso”, revelou.

O evento, realizado no Ginásio Poliesportivo, reuniu equipes de várias cidades, incluindo Sandovalina (SP), que conquistou o primeiro lugar na competição. A equipe de Mestre Miltão, que contou com o reforço da professora Luana — filha do mestre e também ativista da capoeira —, ficou em segundo lugar, recebendo elogios pela qualidade técnica e pelo trabalho com crianças.

"Começamos com apenas cinco pessoas e hoje temos 40 alunos, desde crianças até adultos", contou o mestre. Entre os destaques, está a inclusão de crianças pequenas, como Helena, que já iniciam sua jornada no esporte e na cultura. O trabalho de Mestre Miltão é comparado a um “trabalho de formiga”, com dedicação constante para formar cidadãos conscientes e capazes.

O Papel da Capoeira Contra a Discriminação Racial

Além de questões esportivas e culturais, Mestre Miltão também abordou o impacto social da capoeira. Ele enfatizou que o movimento luta ativamente contra o preconceito e a discriminação racial, promovendo a igualdade. "Somos militantes, lutamos pela igualdade para todos", afirmou.

A capoeira, que nasceu como resistência, segue cumprindo seu papel social ao unir pessoas de diferentes idades, origens e classes sociais em torno de valores de respeito e solidariedade. Durante os encontros, os ritmos do berimbau e do pandeiro ecoam ensinando mais do que golpes: transmitem história e cultura.

Próximos Passos e Expectativas

O mestre também revelou planos futuros: um próximo batizado está previsto para setembro de 2025, alinhando-se às datas festivas do aniversário da cidade. Além disso, ele planeja uma confraternização de fim de ano com seus alunos, que incluirá rodas de capoeira e muita celebração.

"O que importa é ver as crianças felizes, gostando do que fazem", disse. Em clima de festa, Mestre Miltão reforçou a importância de manter viva a tradição e a paixão pela capoeira, um legado que ele tem transmitido com dedicação ao longo dos anos.

A entrevista encerrou com um recado otimista: a capoeira segue sendo um espaço de transformação social, resgatando raízes e construindo pontes para um futuro mais igualitário. Como diz o mestre: “O berimbau vai falar!”

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