“Esse ano a gente teve um aumento significativo desses casos de dengue. Além das cepas 1 e 2, agora temos a cepa 3 circulando na cidade”, alertou Joaquim, agente do Controle de Vetores da Secretaria de Saúde de Aparecida do Taboado. Segundo ele, o último boletim epidemiológico divulgado no dia 7 de abril aponta 389 notificações, com 288 casos de dengue confirmados, além de cinco notificações de Chikungunya (quatro confirmadas) e duas suspeitas de Zika, ainda não confirmadas. Outros 93 exames seguem em análise laboratorial.
O cenário preocupa ainda mais pela reintrodução da cepa 3 da dengue, que não circulava no país há 17 anos. “É uma cepa nova que está suscetível a todos pegarem, mesmo quem já teve dengue tipo 1 ou 2. Ou seja, todo mundo corre risco”, enfatizou Joaquim.
A agente Paula complementa: “Esse tipo 3 é o mais grave da doença. E sim, infelizmente, tivemos dois casos de dengue hemorrágica confirmados em nossa cidade.”
A origem do problema? Segundo os especialistas, está mais perto do que se imagina. “Esses mosquitos não vêm da China nem de laboratório. Eles nascem aqui mesmo, dentro da casa das pessoas, nas pias, nas geladeiras, nas válvulas de banheiro, no quintal”, explicou Paula. “É o famoso mosquito caseiro”, completou Joaquim.
Para combater o avanço da doença, os agentes reforçam a necessidade da prevenção diária. “Tire 10 minutinhos do seu dia, antes de ir trabalhar, e dê uma olhada no quintal. Verifique vasos, pneus, objetos esquecidos. Isso salva vidas”, pediu Paula. Ela também alertou que a chikungunya, outro vírus transmitido pelo mesmo mosquito, pode causar sequelas por até um ano, com dores articulares severas e inchaços.
Além da mobilização em campanhas educativas, a Prefeitura iniciou mais uma fase da Operação Catatreco, que visa eliminar focos do mosquito por meio da coleta de objetos inservíveis. “Essa semana já passamos pelos bairros Jardim Pioneiros, São José, Centro, entre outros. E a partir do dia 14, estaremos nos bairros Jardim do Lago, São Luís, Santa Luzia e adjacentes”, informou Joaquim. “Mas é importante que a população coloque os entulhos na calçada a partir de hoje”, lembrou.
Apesar do esforço coletivo, os agentes enfrentam resistência em uma frente essencial: a entrada nas residências. “Muitos moradores ainda se recusam a receber os agentes de endemias. Isso é um erro grave. Estamos lá para ajudar”, desabafou Paula. “É como se dissessem: ‘pode deixar a dengue crescer’.”

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