"A Capoeira é Pai e Mãe": Mestre Milton é homenageado em evento estadual

Aos 64 anos, mestre com mais de 50 anos de capoeira fala sobre o impacto da arte na formação cidadã, critica a falta de apoio oficial em Aparecida do Taboado e celebra convite para o Encontro dos Gigantes em Campo Grande.

14 MAI 2025 Por Redação Jota FM 99.5 13h22

“A capoeira é como pai e mãe. Tem que seguir com o primeiro mestre até o fim da linha”. A fala firme e carregada de significado é de Mestre Milton, referência viva da capoeira em Aparecida do Taboado, que aos 64 anos foi escolhido entre 70 mestres para representar a cidade no “Encontro dos Gigantes”, evento estadual em Campo Grande que homenageia grandes nomes do esporte e da cultura do Mato Grosso do Sul.

Na entrevista concedida à rádio Jota FM, o mestre relembrou sua longa trajetória iniciada em 1973 e explicou que, para chegar à graduação de mestre, o caminho é longo e, muitas vezes, solitário. “Demorei mais tempo porque meu mestre viajou pelo Brasil e pela Europa. Quando voltou, foi ele quem me graduou. Isso é importante. É como na vida: a voz do pai e da mãe, na capoeira, é a voz do mestre.”

Milton coordena, ao lado da filha e professora Luana (conhecida como Molech), um projeto voluntário que atende crianças na Praça Municipal. “A capoeira transforma. Melhora o comportamento, desenvolve os reflexos psicomotores e ajuda no aprendizado em sala de aula. Os alunos da capoeira são nota 10, tanto no boletim quanto na disciplina”, destacou.

Apesar do impacto social do projeto, o mestre revelou que ainda não há nenhum apoio financeiro oficial do município. “A diretora de cultura, Camila Ellen, valoriza meu trabalho, mas ela não tem verba. Não tenho vínculo com a prefeitura. Já apresentei o projeto 'Capoeira para Todos', mas o que falta mesmo é o querer dos administradores”, desabafou.

Mesmo diante das dificuldades, o mestre se orgulha da homenagem que receberá em Campo Grande no dia 17. “É uma honra representar Aparecida do Taboado. É importante não só pra mim, mas pra toda a cidade. E para o Catatau também”, disse, sorrindo ao lado do neto e mascote do grupo, João Davi, que já toca instrumentos e “joga capoeira”.

O reconhecimento estadual chega, mas o mestre segue esperando o reconhecimento local. “A capoeira é esporte, é cultura, é arte, é poesia. Mas acima de tudo, é cidadania. O que nós fazemos ali na praça é formar cidadãos.”

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