Morte de bebê de 9 meses foi tema da entrevista deste sábado

Após enfrentar perdas marcantes, Letícia Lopes Marinho denuncia descaso no atendimento hospitalar e pede respostas sobre o que levou à morte repentina de Maria Helena, sua bebê saudável e cheia de vida.

19 MAI 2025 Por Redação Jota FM 99.5 11h37

No ar de forma emocionada e corajosa, a entrevistada do último sábado na Jota FM, Letícia Lopes Marinho, abriu o coração em uma das entrevistas mais comoventes já exibidas pela emissora. Moradora de Paranaíba, Letícia compartilhou a trajetória de perdas e lutas que marcaram sua vida nos últimos anos — e a dor irreparável pela morte de sua filha Maria Helena, de apenas 9 meses.

A conversa começou com um ponto de conexão regional. Embora atualmente viva em Paranaíba, Letícia tem raízes profundas em Aparecida do Taboado. “A minha família é toda daqui do Taboado”, disse ela, logo no início da entrevista.

Viúva desde 2021, após perder o marido para a Covid-19, Letícia também enfrentou a perda recente do avô, vítima da Influenza. A vida, marcada por tragédias, teve um capítulo ainda mais doloroso com a morte de sua bebê, Maria Helena. “Ela era uma criança ativa, esperta, falante. Com 5 meses já dizia ‘papai’”, relembrou, com a voz embargada.

Segundo Letícia, tudo começou após a aplicação das vacinas obrigatórias aos nove meses de idade, incluindo a da gripe. No entanto, ela foi enfática ao afirmar que a causa da morte não foi a vacina. “Quero deixar bem claro aqui: não foi culpa da vacina. A gente está escutando isso por aí, mas não foi”, afirmou. “A Maria Helena tomou a vacina no dia 22. Ela faleceu no dia 29. Teve uma semana entre isso, e os médicos fizeram vários exames e tudo estava normal.”

A mãe conta que a filha apresentou febre nos dias seguintes, e que buscou atendimento médico em várias ocasiões. “Fomos ao hospital dia 22, 23 e 24. Fizeram raio-x, exames de sangue. Tudo normal, sem alteração”, recorda. Apesar da febre recorrente, a criança teve uma melhora entre os dias 25 e 28. “Ela ficou super bem, fomos até a cavalgada em Aparecida. Todo mundo viu ela, estava alegre.”

Na segunda-feira, 29 de abril, Maria Helena foi para a creche normalmente. Mas durante a madrugada, apresentou febre alta. Letícia relata que, por trabalhar na prefeitura e não poder faltar mais dias, deixou a filha com a sogra. “Quando voltei do serviço, ela ainda estava com febre. Peguei e fui correndo com ela para o hospital.”

O drama continuou na Santa Casa de Paranaíba. Segundo Letícia, mesmo após apresentar 38,3°C de febre, a filha foi atendida com demora. A mãe afirma que os exames novamente não apontaram nenhuma anormalidade, e a médica plantonista decidiu pela internação, informando que a pediatra avaliaria a bebê no dia seguinte.

Letícia guarda todos os detalhes da última tarde com a filha: o horário da chegada no hospital, o número da senha (095), os medicamentos aplicados (dipirona e bromoprida), e a frustração com a falta de um diagnóstico preciso. “Eu carregava termômetro comigo. Toda vez que vinha aqui era esse descaso”, desabafou.

Um apelo por justiça e verdade

Letícia tem enfrentado comentários cruéis e maldosos. Alguns chegam a insinuar que ela está “desorientada” ou que culpa a vacinação. “Já ouvi dizerem que eu estou tão desorientada que não sei o que falo. Mas eu sei exatamente o que estou dizendo”, afirmou, com firmeza.

Hoje, ela busca respostas. Mais do que culpados, ela quer justiça e esclarecimentos. “Eu só quero saber o que aconteceu com a minha filha. Por que uma criança saudável, cheia de vida, faleceu de uma hora pra outra?”

O caso de Maria Helena é mais do que uma tragédia pessoal. Ele levanta questionamentos importantes sobre o atendimento pediátrico na região, o acolhimento às famílias em momentos de crise e, sobretudo, a necessidade de empatia e respeito com as dores alheias.

Letícia continua lutando, agora não apenas como mãe, mas como mulher que transforma a dor em busca de verdade. E seu depoimento público, corajoso e consciente, mostra que a memória de Maria Helena segue viva.

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