Terezinha está há oito anos à frente do projeto “Aparecida do Taboado em Doação”, que mensalmente convida voluntários a doarem sangue. "Mês a mês eu convido os voluntários que queiram ser doadores, e os acompanho até o Emosul de Paranaíba para fazerem suas doações."
Sobre os desafios enfrentados, ela comenta: "As duas partes são difíceis. Primeiro, juntar o voluntário, porque são muito poucas as pessoas que têm a consciência da necessidade de ser um doador, mesmo sem que isso traga benefícios a ele. É aquilo que eu digo sempre: fazer o bem sem olhar a quem."
Terezinha acredita que a principal barreira para a doação de sangue é a falta de conhecimento: "Falta de conhecimento que existe esse trabalho em nosso município, que é desenvolvido por mim e pela minha filha Mônica. A gente vai em busca dos voluntários, e eles têm todo um suporte de transporte, não têm despesa, e, se há necessidade, têm atestado de comparecimento. Falta também conhecimento sobre os benefícios que a doação traz para a saúde e sobre o número de pacientes que necessitam de uma bolsa de sangue. Os bancos de sangue constantemente andam baixos."
Ela destaca que algumas empresas locais já abraçaram a causa: "Eu tenho algumas empresas que já abraçaram. Inclusive, na próxima semana estarei fazendo conscientização dentro de algumas delas. Isso é benefício para ambos os lados: para mim, que apresento o projeto, e para as empresas, que desenvolvem um trabalho social."
Além de salvar vidas, doar sangue também é benéfico à saúde, segundo Terezinha: "Ele vai estar tirando 450 ml do sangue que tem no organismo e será feita a reposição de glóbulos novos, células novas, num período de 72 horas. Isso é benefício para ele."
Ela reforça: "Quando você se doa para salvar uma vida, não é somado benefícios. Já é um benefício: você se doou, sabendo que aqueles 450 ml que você está doando vão poder salvar até quatro vidas. Esse é o benefício maior. Isso é incalculável."
Além do aspecto humano, há também benefícios legais: "Um doador assíduo, por exemplo, tem isenção ou desconto em algumas taxas de concursos. Apesar de pouco divulgado, há fila preferencial em banco, lotérica e prestação de contas. Desde que seja um doador assíduo, homens com quatro doações anuais e mulheres com três, eles têm benefícios."
Ela explica ainda: "Funcionário público, estando com as doações corretas, a cada ano de doação ele tem um dia a mais de férias, emitido mediante documentação. Tem descontos em grandes centros, como cinema, teatro e alguns eventos. Ou seja, a cultura também abraça esse projeto."
Sobre o perfil dos doadores, Terezinha revela: "A mulher. Ela tem menos medo da agulha, está no instinto feminino. Acho que até por acalentar seus filhos desde pequeninos, já é uma cultura arraigada nelas."
Quanto aos requisitos para doar: "A altura não influencia tanto, o peso sim. A partir de 51 kg para homem e 53 kg para mulher. De 16 a 18 anos, acompanhado de pai ou mãe. E até 69 anos, desde que tenha feito uma doação antes dos 60."
Ela também esclarece sobre a segurança do processo: "É feita uma coleta que passa por todo um processo interno, biométrico, para detectar o tipo sanguíneo e a qualidade do sangue. Primeira coisa: você tem que fazer um pré-cadastro, se identificar numa ficha e ser o mais sincero possível, porque um deslize pode levar uma vida a óbito. Tem os critérios que devem ser observados com muita atenção. Após a triagem médica, se estiver apto, é feita a coleta e o sangue passa por todo um processo até chegar ao paciente."
Terezinha aponta que o baixo número de doações está relacionado à falta de informação: "A população, devido à correria do dia a dia, passa muita coisa sem ser frisada, sem ser divulgada. A área da saúde está tão saturada, tão focada em atender o paciente, que acaba deixando de divulgar para a população o que mais precisa: a conscientização para salvar vidas."
Ela reforça: "Não adianta ter um paciente no leito do hospital, com assistência médica e estrutura, e faltar uma bolsa de sangue. Por que faltou? Porque o doador não tem consciência nem conhecimento desse ato."
Em Aparecida do Taboado, a doação exige um esforço adicional: "Ela não vai chegar no local aqui e retirar o sangue aqui. Ela tem que sair para fora. É esse dom mesmo, porque no sábado, por exemplo, uma mulher trabalhou a semana toda, chega no sábado e tem mil e uma coisas para fazer. Aquele tempo dela é contadinho. Ela sai da sua residência de manhã, muitas vezes levanta lá 4h30, 5h, porque eu tenho doador que vem lá de cima do Samara, a pé ou de bicicleta, até a Praça da Matriz, para pegar o transporte e ir até Paranaíba fazer sua doação e ter o retorno. Só de ida e volta, gastamos 45 minutos."
Ela enfatiza: "É tudo voluntário, faz por amor ao próximo mesmo."
Terezinha conta com o apoio de parceiros: "Eu tenho algumas empresas que me apoiam com o patrocínio das camisetas, a Secretaria Municipal de Saúde que nos fornece o transporte, a Panificadora Vitória e outros, que nos auxiliam com o lanche que oferecemos aos doadores. Todos os meses eu tenho esse apoio. É a velha história: de grão em grão."

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