Aos 18 anos, Maria Clara é um exemplo de garra e dedicação. Estudante de Direito na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), ela concilia a rotina acadêmica com a intensa vida de atleta de karatê olímpico, já tendo representado o Brasil em competições nacionais. No entanto, por trás das vitórias e da disciplina, está uma jovem que enfrenta a dura realidade da falta de reconhecimento e apoio em sua cidade natal, Aparecida do Taboado (MS).
Desde pequena, Maria Clara se interessou por regras e normas, o que influenciou sua escolha pela carreira jurídica. Ao mesmo tempo, encontrou no karatê uma paixão que logo se transformou em vocação. Classificada em campeonatos importantes como o Brasileiro sub-21 e sênior, ela se destaca como uma das promessas do esporte. Porém, a falta de estrutura e incentivo no município dificulta sua trajetória.
"Eu acredito que minha cidade não reconhece os atletas. A população pouco acompanha, acha que é só mais um esporte", desabafa. A atleta aponta que há resistência cultural local em apoiar jovens esportistas. "Quando digo que sou atleta, muitos se surpreendem. Dizem: ‘Você já foi pro Brasileiro? Eu nem sabia!’", conta.
A luta de Maria Clara não é travada sozinha. Sua mãe, Marla, é o verdadeiro esteio por trás da atleta. Mãe solo e portadora de uma deficiência visual, ela se desdobra para sustentar os sonhos da filha. "Eu faço rifas, corro atrás, peço ajuda. Faço o que está ao meu alcance — e até o que não está", afirma emocionada. Segundo ela, a única ajuda financeira recebida do Estado é de R$ 5 mil por ano, valor que cobre apenas parte dos gastos com cinco campeonatos, no máximo.
Enquanto o apoio institucional é limitado, a UEMS tem sido mais compreensiva. A universidade permite a justificativa de faltas por meio de certificados de campeonatos e oferece uma bolsa estadual que ajuda a cobrir transporte, alimentação e materiais acadêmicos. "Todo o dinheiro que recebo é investido na faculdade", diz Maria Clara, com orgulho.
Agora, ela se prepara para o primeiro Campeonato Brasileiro do ano, que acontece entre os dias 22 e 27 de julho, em Londrina (PR). Para viabilizar a participação, a jovem lançou uma vaquinha virtual e pede apoio da comunidade e empresários. "Preciso de um novo kimono e cobrir os custos da viagem", explica.
A história de Maria Clara é um retrato da persistência em meio à negligência. Seu apelo não é apenas por patrocínio, mas por um olhar mais atento da sociedade ao esporte como ferramenta de transformação. "É muito fácil dizer que o esporte salva. Difícil é apoiar quando o atleta começa a dar certo", conclui.
Para quem quiser ajudar, a vaquinha será divulgada nas redes sociais da atleta e também nas páginas de veículos locais. A esperança de Maria Clara é que sua história inspire outros jovens e mobilize a cidade para não apenas formar campeões, mas também reconhecê-los.

Aparecida do Taboado Sindicato Rural de Aparecida do Taboado promove curso de operação de drones
Inocência Ferrovia da Arauco avança em Inocência e começa a receber 95 mil dormentes
Aparecida do Taboado Agentes realizam borrifação contra o mosquito da dengue no Cidade Nova
Aparecida do Taboado Venda de sushi beneficente em prol da Capela São Sebastião segue até domingo