Mato Grosso do Sul enfrenta uma preocupante escalada na violência de gênero em 2025. De acordo com dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), 16 mulheres foram assassinadas por feminicídio desde o primeiro dia do ano até esta semana. Além dos casos consumados, outros 35 atentados contra a vida de mulheres foram registrados como tentativas de feminicídio no mesmo período.
Os números revelam a urgência de ações mais efetivas no enfrentamento à violência doméstica e no fortalecimento de redes de proteção para mulheres em situação de vulnerabilidade. Especialistas em segurança pública e direitos humanos alertam que o feminicídio é o desfecho trágico de ciclos contínuos de agressões físicas, psicológicas e emocionais que muitas vezes não são denunciados ou interrompidos a tempo.
As vítimas, em sua maioria, foram mortas por companheiros ou ex-companheiros. Armas brancas, armas de fogo e espancamentos lideram a lista dos meios utilizados nos crimes. Muitos desses casos ocorreram dentro de casa, ambiente que deveria ser de proteção, mas que se transforma em local de risco para muitas mulheres.
A Sejusp afirmou que tem intensificado o monitoramento e a resposta às denúncias por meio da atuação das delegacias especializadas de atendimento à mulher, bem como ampliado campanhas de conscientização. No entanto, mesmo com os esforços institucionais, os índices continuam altos, o que aponta para a necessidade de políticas públicas mais integradas entre segurança, saúde, assistência social e educação.
Entidades feministas e defensoras dos direitos das mulheres também têm cobrado maior rigor na aplicação de medidas protetivas e mais agilidade no atendimento a denúncias. A demora no cumprimento de ordens judiciais e a falta de abrigos de emergência em municípios menores continuam sendo obstáculos sérios.
Em nota, o Governo do Estado afirmou que está em fase de elaboração de um plano de ação intersetorial para reduzir os índices de feminicídio e oferecer maior proteção às vítimas. Já a sociedade civil ressalta que apenas com educação de base, mudanças culturais e uma justiça mais ágil será possível frear a escalada dessa violência.
Os dados de 2025 mostram que, em média, uma mulher é assassinada por feminicídio a cada 18 dias em Mato Grosso do Sul, um dos estados com maior taxa proporcional de violência contra a mulher no Brasil. O cenário reforça a importância da denúncia, do acolhimento e da criação de estratégias duradouras de combate ao machismo estrutural e à impunidade.
Se você sofre ou conhece alguém que sofra violência doméstica, procure ajuda. A denúncia pode ser feita de forma anônima pelo Disque 180, que funciona 24 horas por dia, em todo o país. A vida de uma mulher pode depender disso.

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