Carne Sustentável do Pantanal bate recorde de incentivos e inicia nova fase para fortalecer

Programa já destinou mais de R$ 63 milhões a produtores e prepara revisão de protocolo para ampliar impacto ambiental positivo e garantir rastreabilidade total

29 JUN 2025 Por Redação Jota FM 99.5 16h00

A produção de carne sustentável e orgânica no Pantanal alcançou um marco histórico em Mato Grosso do Sul. O Programa Carne Sustentável e Orgânica do Pantanal, criado pelo Governo do Estado em parceria com a ABPO (Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável), já repassou mais de R$ 63,1 milhões em incentivos diretos aos pecuaristas desde o início de sua operação. Até junho de 2025, mais de 554 mil animais foram abatidos no âmbito do programa, dos quais 96,4% receberam incentivo financeiro por atenderem aos rigorosos critérios estabelecidos no protocolo.

A evolução do valor médio de incentivo por animal também chama atenção: em 2019, o valor era de R$ 86,26, enquanto em 2025 já chega a R$ 134,58 — o maior desde a criação do programa. Apenas em 2024, os produtores receberam R$ 20,5 milhões, e em 2025, mesmo com o ano ainda em andamento, o montante já ultrapassa R$ 12,2 milhões. Esses números refletem a crescente valorização da carne de baixo impacto ambiental e o engajamento cada vez maior dos produtores.

Durante o evento Pantanal Tech, em Aquidauana, o secretário executivo da Semadesc, Rogério Beretta, ressaltou que o programa está em constante evolução. Ele explicou que a nova etapa será marcada por uma revisão do protocolo de produção, buscando alinhar ainda mais as exigências ambientais, o bem-estar animal e o reconhecimento de mercado. “A ideia é que o governo continue incentivando enquanto o consumidor também reconhece e remunera o valor agregado desse produto”, afirmou Beretta.

Entre 2022 e 2025, a categoria que mais recebeu incentivo foi a de fêmeas com 8 dentes, totalizando 146.858 animais, o que representa cerca de 25,5% do total incentivado. Além disso, 147 propriedades rurais estão cadastradas no programa, apoiadas por 90 responsáveis técnicos habilitados e 12 frigoríficos credenciados que asseguram a rastreabilidade dos animais e a qualidade do produto final.

O diretor executivo da ABPO, Guilherme Oliveira, destacou que o momento atual representa uma virada estratégica. Segundo ele, há uma oportunidade de ampliar o alcance da carne certificada e incentivar mais produtores a aderirem ao protocolo. Oliveira citou o exemplo do produtor Leonardo de Barros, proprietário da Biocarnes, que criou uma startup focada em carne sustentável, mostrando como é possível agregar valor e alcançar novos mercados.

Para Leonardo de Barros, a integração entre políticas públicas, ciência e mercado é essencial para o sucesso do programa. “É um ganha-ganha que beneficia toda a cadeia produtiva e valoriza a cultura pantaneira. Ao unir governo, academia e produtores, criamos um modelo que serve de vitrine para todo o Brasil”, pontuou o pecuarista.

Hoje, o protocolo da Carne Sustentável e Orgânica do Pantanal é um dos mais avançados do país, incluindo práticas de manejo de pastagem, bem-estar animal e, em breve, rastreabilidade total. Com a revisão em andamento, a expectativa é consolidar o Pantanal como referência nacional na produção de carne sustentável, conectando o bioma e suas riquezas naturais à mesa de consumidores cada vez mais exigentes e conscientes.

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