A recente decisão dos Estados Unidos de aplicar uma taxação de 50% sobre produtos importados do Brasil, incluindo carne bovina e celulose, gerou grande preocupação no setor produtivo de Mato Grosso do Sul. O estado, que vinha celebrando um crescimento expressivo nas exportações para o mercado americano, vê agora uma ameaça concreta ao seu desempenho econômico.
No primeiro semestre de 2025, os EUA foram o segundo maior destino das exportações sul-mato-grossenses, totalizando US$ 315,9 milhões — um aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado. Dentre os produtos enviados, a carne bovina desossada e congelada se destacou, representando 45,2% do total e somando mais de US$ 142 milhões.
A indústria de celulose também é fortemente impactada. Entre janeiro e junho, o estado exportou mais de US$ 1,7 bilhão em pasta química de madeira para os EUA, um crescimento de 65,2%.
Segundo o analista de comércio exterior Aldo Barigosse, a nova tarifa pode gerar uma perda de competitividade, resultando em redução de mercado e possível aumento da oferta interna, o que pressionaria os preços para baixo. "Podemos ter impacto na mão de obra dessas indústrias e menor investimento, se elas começarem a perder mercado. São reflexos negativos que tendem a atingir o setor produtivo", destaca Barigosse.
A medida americana entra em vigor no dia 1º de agosto, mas representantes do setor e economistas acreditam que ainda há tempo para o Brasil negociar. Em abril, o governo Trump já havia imposto uma taxa extra de 10% sobre produtos brasileiros, considerada moderada. Desta vez, o aumento foi muito superior, gerando reações imediatas.
O presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Marcelo Bertoni, reforçou a urgência em buscar um diálogo com o governo norte-americano. Ele ressalta que as indústrias sul-mato-grossenses dependem fortemente do mercado externo e qualquer restrição afeta diretamente a economia local.
Com exportações concentradas em commodities, Mato Grosso do Sul poderá ter que redirecionar volumes para outros mercados, como Europa, China e países árabes. Entretanto, a adaptação não ocorre de forma imediata, podendo gerar dificuldades logísticas e comerciais.
A situação também coloca em risco projetos de expansão e novos investimentos previstos para o segundo semestre. A expectativa é que o governo federal atue em conjunto com associações do agronegócio e industriais para reverter ou ao menos minimizar os impactos dessa taxação. Enquanto isso, os produtores e empresários seguem monitorando o cenário com apreensão.

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