Fragmentos de ossos são encontrados em terreno de suspeito no caso Carmen

Restos calcinados estavam no lote de Marcos Yuri, principal investigado; Polícia Civil investiga possível feminicídio contra universitária trans desaparecida desde junho

21 JUL 2025 Por Redação Jota FM 99.5 12h44

A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio da Delegacia de Ilha Solteira, localizou nesta sexta-feira (18) fragmentos ósseos queimados em uma área rural vinculada a Marcos Yuri Amorim, investigado pelo desaparecimento de Carmen de Oliveira Alves, estudante universitária de Zootecnia da Unesp, vista pela última vez em 12 de junho.


O material foi recolhido em uma fogueira dentro do terreno, localizado no assentamento Estrela da Ilha, e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de exames periciais que determinarão a espécie de origem dos fragmentos. Caso confirmado que os ossos são humanos, será iniciado o processo de identificação por comparação de DNA com familiares da vítima, especialmente com a genitora.


Paralelamente, a investigação avança com o uso de tecnologia geofísica e drones, empregados por técnicos da Unesp, com o intuito de detectar eventuais vestígios enterrados no subsolo, como a bicicleta da vítima. As buscas aquáticas também foram intensificadas com o apoio da Marinha do Brasil, que pode incluir o envio de mergulhadores à região.
Além de Yuri, encontra-se sob prisão temporária de 30 dias o policial militar da reserva Roberto Carlos de Oliveira, conhecido como “Beto”. De acordo com o delegado Miguel Rocha, responsável pelo inquérito, há indícios de vínculo amoroso e financeiro entre os dois investigados, incluindo a compra em comum do imóvel onde os fragmentos foram encontrados.


Elementos extraídos de equipamentos eletrônicos da vítima e dos suspeitos indicam que Carmen reunia informações comprometedores sobre Yuri, incluindo um suposto dossiê relacionado a furtos em usinas. A linha investigativa aponta para a hipótese de feminicídio motivado por gênero, possivelmente agravado por pressões quanto à exposição da relação entre vítima e investigado.
Próximos passos
•    O IML irá proceder à análise dos fragmentos para identificação de espécie e perfil genético;
•    Técnicos seguem com o mapeamento subterrâneo da propriedade;
•    A Marinha amplia o patrulhamento nos rios e pode empregar equipes de mergulho;
•    A Polícia Civil monitora e pericia dispositivos eletrônicos relacionados aos suspeitos.


Repercussão
O caso ganhou repercussão nacional ao envolver uma mulher trans, o que reacendeu o debate sobre violência de gênero e os direitos da população LGBTI+.
O pai da jovem, Gerson Romualdo Alves, declarou que localizar o corpo é essencial para a família encontrar paz e garantir justiça. A apuração prossegue, e novas provas — especialmente a identificação dos ossos — poderão levar a desdobramentos judiciais, com novas prisões ou denúncia formal por homicídio qualificado, com possível qualificação por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio.

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