Aeroporto de Inocência é alvo de investigação por danos ambientais no Córrego Cassimiro

Ministério Público apura responsabilidades por erosão e assoreamento causados durante obra milionária da pista de pouso

04 AGO 2025 Por Redação Jota FM 99.5 11h12

Inocência (MS) – O recém-inaugurado aeroporto de Inocência, que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, está no centro de uma investigação do Ministério Público Estadual (MP-MS) após denúncias de graves danos ambientais ao Córrego Cassimiro.

A obra da pista de pouso, executada pela construtora Avance, teria provocado erosões que despejaram centenas de toneladas de areia no leito do córrego, sem o devido licenciamento ambiental.

A Polícia Militar Ambiental aplicou uma multa de R$ 100,5 mil à construtora pela ausência de sistemas de contenção de enxurradas, agravando os impactos ambientais. “A água e a areia chegavam exatamente no ponto em que a empresa captava água para a obra, sem qualquer licença”, relataram os agentes ambientais.

O Ministério Público agora busca definir quem será responsável pela recuperação do córrego e da vala aberta na Fazenda Elo Dourado, onde as imagens mostram que a erosão começou na pista de pouso e avançou por mais de 500 metros. “Queremos respostas claras sobre os danos e quem irá custeá-los”, afirmou a promotoria.

Em defesa, a Avance atribuiu os problemas às chuvas intensas do final de 2024, alegando precipitação de mais de 500 milímetros no período, embora tenha admitido que o volume registrado foi apenas ligeiramente superior à média histórica da região. A empresa ainda tentou responsabilizar fazendeiros da área por não aplicarem técnicas adequadas de conservação do solo.

A Prefeitura de Inocência, por sua vez, negou qualquer responsabilidade. O prefeito Antônio Ângelo Garcia dos Santos, conhecido como Toninho da Cofap, destacou que a obra foi totalmente licitada e custeada pelo Governo do Estado, cabendo ao município apenas o acompanhamento do projeto.

A pista foi inaugurada em 9 de abril, com a presença do governador Eduardo Riedel e executivos da Arauco, como parte das obras de infraestrutura que apoiam a instalação da maior fábrica de celulose do mundo, prevista para gerar até 14 mil empregos temporários no auge da construção. No entanto, a apuração do MP-MS reforça que a origem e a responsabilidade pelos danos ambientais permanecem sem definição.

Casos semelhantes já ocorreram na região, como no terminal intermodal da Suzano, onde o assoreamento de açudes trouxe sérios prejuízos a comunidades rurais. “Nem a Justiça tem conseguido reverter a situação”, lamentou um dos moradores afetados.

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