Coxim e Paranaíba vão integrar cinturão hospitalar para desafogar grandes cidades de MS

Nova arquitetura da saúde reorganiza rede com foco em municípios de porte médio e pequenos para reduzir sobrecarga em Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá

17 AGO 2025 Por Evilin Flausino 12h10

Mato Grosso do Sul vai ganhar um novo modelo de atendimento em saúde, com a criação de um “cinturão hospitalar” em cidades estratégicas do interior. Entre os municípios que farão parte da reorganização estão Coxim e Paranaíba, que terão papel fundamental na atenção secundária — com especialistas, exames e atendimento de urgência e emergência — desafogando a demanda hoje concentrada nas grandes cidades.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (15) pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, durante a apresentação da Nova Arquitetura da Saúde. O projeto prevê que unidades regionais assumam serviços de baixa e média complexidade, deixando a alta complexidade restrita a Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá.

Segundo o secretário, o objetivo é garantir financiamento fixo para manter a estrutura hospitalar e incentivo variável conforme a produtividade, medida pelo número de procedimentos realizados. “Muitas vezes, o município já tem boa estrutura e recursos humanos. O que falta é incentivo para que possa produzir e atender sua região”, destacou Simões.

O plano foi elaborado a partir de um diagnóstico que mostrou que 40% dos 4.637 leitos hospitalares do Estado estavam ociosos. A baixa resolutividade fazia com que pacientes com casos simples fossem transferidos para a Capital, sobrecarregando hospitais de referência. “Um hospital de alta complexidade deve ser exclusivo para casos graves. Situações simples, como uma dor abdominal leve, precisam ser atendidas na atenção básica”, completou o secretário.

As cidades de menor porte continuarão priorizando a atenção primária, como consultas básicas, acompanhamento de doenças crônicas e ações de prevenção. Já os municípios de porte médio, como Coxim e Paranaíba, terão hospitais regionais fortalecidos, enquanto os grandes centros concentrarão procedimentos de alta complexidade, como cirurgias especializadas, UTIs e transplantes.

Um projeto-piloto já está em funcionamento há dois meses em Coxim, Ribas do Rio Pardo, Aquidauana, Maracaju e Sidrolândia. A reorganização está embasada na Resolução nº 598/CIB/SES, que define parâmetros de resolutividade e complexidade para cada tipo de hospital.

Desde 2023, já foram investidos mais de R$ 2,2 bilhões em obras, equipamentos, veículos, capacitação e incentivos. Entre os principais avanços estão o Hospital Regional de Três Lagoas, já em operação; o Hospital Regional de Dourados, previsto para 2025; e a PPP do Hospital Regional de Campo Grande, que ampliará de 362 para 577 leitos.

Leia Também