Logo na entrada do Cemitério Municipal de Porto Murtinho, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, um túmulo simples guarda uma das histórias mais marcantes — e pouco lembradas — da cidade. Sem adornos ou monumentos, a sepultura chama atenção por um detalhe incomum: a lápide traz gravado o nome do assassino da vítima.
A sepultura pertence a Rubval Theodoro Júnior, morto aos 16 anos, em 29 de novembro de 1938. Sobre a lápide, a mensagem mandada gravar pela família não deixa dúvidas sobre o teor da morte:
“Aqui jaz os restos mortais do jovem Rubval Theodoro Júnior, nascido a 28 de junho de 1922, assassinado traiçoeiramente por Sebastião Franco da Rocha, no dia 29 de novembro de 1938.
Seus pais e irmãos lhe dedicam esta lembrança.”
A inscrição é direta, dura e rara na história brasileira, já que lápides geralmente preservam homenagens, não acusações. No caso de Rubval, a família fez questão de eternizar o nome do assassino, como forma de memória e denúncia.
Memória quase apagada pelo tempo
Mesmo após quase oito décadas de sol, chuva e enchentes que marcaram Porto Murtinho, o túmulo permanece surpreendentemente conservado. Porém, ao contrário da estrutura, a história que lhe deu origem foi se perdendo.
Hoje, moradores mais antigos da cidade — alguns, quase centenários — afirmam nunca ter ouvido falar de Rubval ou de seu algoz, Sebastião Franco da Rocha. Há pouquíssimos registros oficiais sobre o caso, e não se sabe se o assassino chegou a ser preso ou julgado.
Uma história que resiste na pedra
A lápide segue de pé, silenciosa, mas contando — sem precisar de testemunhas — o que ficou marcado para sempre na dor da família.
Mais do que um túmulo, é um protesto esculpido em pedra.
Um lembrete de que, em 1938, um jovem de 16 anos teve sua vida interrompida de forma que sua família considerou imperdoável — e decidiu que o mundo jamais esqueceria o nome do culpado.

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