Em uma entrevista marcada por reflexões profundas sobre diversidade religiosa, direitos fundamentais e a luta contra o racismo, o advogado Dr. Galivaldo — figura de grande representatividade em sua cidade — abordou temas que ganham destaque no mês de novembro, como o Dia Nacional da Umbanda, o Dia Internacional da Tolerância e o Dia da Consciência Negra, agora feriado nacional.
Ao iniciar a conversa, o advogado reforçou que a Umbanda ainda sofre marginalização, principalmente pela falta de conhecimento e pela associação equivocada com outras religiões de matriz africana.
“Falta percepção das pessoas para entenderem que isso faz parte da nossa cultura. Em vez de diminuir, engrandece”, afirmou.
Umbanda, Candomblé e Quimbanda: diferenças e preconceitos
Dr. Ganilaldo explicou, de forma didática, as principais diferenças entre Umbanda, Candomblé e Quimbanda.
Segundo ele, a Umbanda utiliza elementos naturais e trabalha com orixás e guias espirituais; o Candomblé tem rituais próprios, com forte relação com os orixás; já a Quimbanda trabalha com as energias chamadas de “esquerda”, como Exus e Pombagiras, sem que isso signifique algo negativo.
Ele destacou que a prática espiritual sempre está ligada à intenção de quem a busca.
“A entidade não é ruim. O que define o objetivo do trabalho é a intenção da pessoa.”
Intolerância: da religião ao cotidiano
A entrevista avançou para o Dia Internacional da Tolerância, celebrado em 16 de novembro, instituído pela Unesco e pela ONU.
Dr. Galivaldo ressaltou que a intolerância se manifesta em diversas formas — cultural, religiosa e racial — e que atitudes simples podem configurar preconceito.
“Quando você critica a comida de outra região, por exemplo, isso é bairrismo. E se é contra estrangeiros, vira xenofobia.”
O advogado ainda lembrou que ofensas e discriminações podem gerar processos criminais e indenizações civis.
Ele citou como exemplo uma prática recorrente em cidades turísticas de Santa Catarina, onde visitantes são questionados sobre origem e emprego, sendo até orientados a ir embora caso não tenham vínculos locais.
Para ele, essa conduta é inconstitucional:
“Todas as pessoas têm direito de ir e vir. Ninguém pode impedir outra de entrar em um Estado do país.”
20 de Novembro: reparação histórica e construção do futuro
Ao comentar o Dia da Consciência Negra, agora feriado nacional, Dr. Galivaldo afirmou que a data não é apenas comemorativa, mas reflexiva.
“É para demonstrar a cultura negra, lutar, trabalhar, mostrar que queremos viver, espaço, direitos e igualdade.”
Ele criticou a falta de valorização da história negra recente, citando como exemplo a baixa lembrança sobre a trajetória de lideranças negras contemporâneas.
Quando questionado sobre a lentidão na luta da negritude, ele destacou a existência de um “racismo maquiado” que ainda condiciona ambientes e oportunidades.
Cotas: instrumento legítimo de inclusão
Declarando-se um “fruto das cotas”, o advogado reforçou que as ações afirmativas são uma forma de reparação histórica e citou sua própria vivência universitária.
“Quando entrei na universidade, havia poucos negros. Hoje vemos diversidade. É isso que as ações afirmativas buscam.”
Ferramentas jurídicas contra intolerância
Dr. Galivaldo destacou que o Brasil possui instrumentos legais robustos para proteger vítimas de racismo, preconceito e intolerância religiosa, incluindo:
Constituição Federal
Lei do Racismo
Leis de injúria, calúnia e difamação
Boletim de ocorrência e ações civis e criminais
“Racismo religioso não é opinião. É crime.”
Como apoiar os terreiros locais
O advogado orientou a população a apoiar as religiões de matriz africana sem preconceito, buscando conhecer antes de julgar.
“Umbanda é amor, bondade e caridade. Onde não houver isso, pule fora.”
Conhecimento como libertação
Ao final, Dr. Galivaldo reforçou que o conhecimento é a principal ferramenta contra o preconceito.
“O conhecimento é libertador. Quanto antes falarmos sobre isso, mais rápido teremos respeito à diversidade religiosa.”

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