Doutor Galivaldo  Lero fala sobre Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra

Advogado destaca importância do conhecimento, da diversidade religiosa e da reparação histórica durante entrevista especial na Semana da Consciência Negra

20 NOV 2025 Por Nilda Telles 11h27

Em uma entrevista marcada por reflexões profundas sobre diversidade religiosa, direitos fundamentais e a luta contra o racismo, o advogado Dr. Galivaldo — figura de grande representatividade em sua cidade — abordou temas que ganham destaque no mês de novembro, como o Dia Nacional da Umbanda, o Dia Internacional da Tolerância e o Dia da Consciência Negra, agora feriado nacional.

Ao iniciar a conversa, o advogado reforçou que a Umbanda ainda sofre marginalização, principalmente pela falta de conhecimento e pela associação equivocada com outras religiões de matriz africana.

“Falta percepção das pessoas para entenderem que isso faz parte da nossa cultura. Em vez de diminuir, engrandece”, afirmou.

Umbanda, Candomblé e Quimbanda: diferenças e preconceitos

Dr. Ganilaldo explicou, de forma didática, as principais diferenças entre Umbanda, Candomblé e Quimbanda.
Segundo ele, a Umbanda utiliza elementos naturais e trabalha com orixás e guias espirituais; o Candomblé tem rituais próprios, com forte relação com os orixás; já a Quimbanda trabalha com as energias chamadas de “esquerda”, como Exus e Pombagiras, sem que isso signifique algo negativo.

Ele destacou que a prática espiritual sempre está ligada à intenção de quem a busca.

“A entidade não é ruim. O que define o objetivo do trabalho é a intenção da pessoa.”

Intolerância: da religião ao cotidiano

A entrevista avançou para o Dia Internacional da Tolerância, celebrado em 16 de novembro, instituído pela Unesco e pela ONU.
Dr. Galivaldo ressaltou que a intolerância se manifesta em diversas formas — cultural, religiosa e racial — e que atitudes simples podem configurar preconceito.

“Quando você critica a comida de outra região, por exemplo, isso é bairrismo. E se é contra estrangeiros, vira xenofobia.”

O advogado ainda lembrou que ofensas e discriminações podem gerar processos criminais e indenizações civis.

Ele citou como exemplo uma prática recorrente em cidades turísticas de Santa Catarina, onde visitantes são questionados sobre origem e emprego, sendo até orientados a ir embora caso não tenham vínculos locais.
Para ele, essa conduta é inconstitucional:

“Todas as pessoas têm direito de ir e vir. Ninguém pode impedir outra de entrar em um Estado do país.”

20 de Novembro: reparação histórica e construção do futuro

Ao comentar o Dia da Consciência Negra, agora feriado nacional, Dr. Galivaldo afirmou que a data não é apenas comemorativa, mas reflexiva.

“É para demonstrar a cultura negra, lutar, trabalhar, mostrar que queremos viver, espaço, direitos e igualdade.”

Ele criticou a falta de valorização da história negra recente, citando como exemplo a baixa lembrança sobre a trajetória de lideranças negras contemporâneas.

Quando questionado sobre a lentidão na luta da negritude, ele destacou a existência de um “racismo maquiado” que ainda condiciona ambientes e oportunidades.

Cotas: instrumento legítimo de inclusão

Declarando-se um “fruto das cotas”, o advogado reforçou que as ações afirmativas são uma forma de reparação histórica e citou sua própria vivência universitária.

“Quando entrei na universidade, havia poucos negros. Hoje vemos diversidade. É isso que as ações afirmativas buscam.”

Ferramentas jurídicas contra intolerância

Dr. Galivaldo destacou que o Brasil possui instrumentos legais robustos para proteger vítimas de racismo, preconceito e intolerância religiosa, incluindo:

Constituição Federal

Lei do Racismo

Leis de injúria, calúnia e difamação

Boletim de ocorrência e ações civis e criminais

“Racismo religioso não é opinião. É crime.”

Como apoiar os terreiros locais

O advogado orientou a população a apoiar as religiões de matriz africana sem preconceito, buscando conhecer antes de julgar.

“Umbanda é amor, bondade e caridade. Onde não houver isso, pule fora.”

Conhecimento como libertação

Ao final, Dr. Galivaldo reforçou que o conhecimento é a principal ferramenta contra o preconceito.

“O conhecimento é libertador. Quanto antes falarmos sobre isso, mais rápido teremos respeito à diversidade religiosa.”

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