Terezinha Beato destaca desafios, avanços e necessidade de apoio ao trabalho de doação de sangue

Em entrevista, voluntária que há oito anos lidera ações de incentivo à doação relata dificuldades, falta de divulgação e reforça importância de apoio político e institucional para ampliar atendimentos em Aparecida do Taboado.

26 NOV 2025 Por Nilda Telles 11h45

No Dia Nacional do Doador de Sangue, a voluntária Terezinha Beato participou de uma entrevista especial para falar sobre sua trajetória e os desafios enfrentados ao longo de oito anos dedicados à causa. Responsável pela mobilização de campanhas de doação e pelo incentivo ao cadastro de doadores de medula óssea, ela relatou que, apesar dos resultados positivos, a falta de divulgação e de conscientização ainda é um dos principais entraves.

Terezinha coordena grupos de voluntários e organiza campanhas desde 2017, mas afirma que, em diversos momentos, quase desistiu. “O trabalho voluntário exige muito, e a conscientização sobre a doação de sangue ainda é muito pequena. Há períodos muito difíceis, e estou passando por um deles agora”, revelou.

Um dos pontos destacados por ela é a diferença entre municípios que realizam semanas inteiras de ações informativas e locais onde quase não há divulgação. Para Terezinha, isso impacta diretamente o número de voluntários. Ela também lembrou que o registro de doadores de medula óssea é mundial, podendo conectar um doador de Aparecida do Taboado a um paciente do outro lado do planeta. “Somos todos iguais. O sangue não distingue cor, raça ou condição social”, afirmou.

Ao explicar as dificuldades do projeto, Terezinha citou entraves burocráticos para transporte de voluntários e para a realização de campanhas aos finais de semana, quando a população tem mais disponibilidade quando,   o trajeto era intermunicipal. A conquista de uma agenda exclusiva do Hemosul aos sábados levou um ano de insistência constante. Antes disso, o grupo chegou a realizar vaquinhas e até a fretar ônibus com recursos próprios para levar doadores até Fernandópolis, devido às limitações interestaduais.

A voluntária reforçou ainda a importância de um posto de coleta em Aparecida do Taboado. Segundo ela, a existência desse espaço permitiria ampliar significativamente o número de doações. Em campanhas pontuais já realizadas no município com equipe vinda de Campo Grande, foram registrados 238 agendamentos — número que mostra o potencial da cidade.

Terezinha também fez um apelo para que lideranças políticas se comprometam com a causa. “O projeto não tem religião, não tem partido. Ele precisa de apoio, não de exploração política”, ressaltou. Para ela, a criação de um posto de coleta depende do diálogo entre esfera municipal, estadual e federal.

Por fim, deixou uma mensagem de agradecimento aos doadores e de incentivo à ampliação da divulgação do projeto nas unidades de saúde. “O posto atende o paciente, mas o paciente tem um familiar saudável em casa que pode ser um doador. Só precisa saber que esse trabalho existe.”

Terezinha encerrou a entrevista reafirmando seu compromisso com a causa e agradecendo a todos que apoiam o projeto. “Fazer o bem sem olhar a quem. Esse é o sentido de tudo.”

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