Dia da Inclusão Social: Assistente Social Rafaela Freitas destaca avanços e desafios

Inclusão social é direito, não favor

10 DEZ 2025 Por Nilda Telles 14h55

Na manhã desta terça-feira, a programação especial do Dia da Inclusão Social recebeu a assistente social Rafaela Freitas, profissional com 20 anos de experiência no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), atuando no CRAS e na Casa Abrigo de Aparecida do Taboado. A entrevista trouxe reflexões profundas sobre direitos, cidadania e o papel coletivo para promover a inclusão.

Inclusão social é direito, não favor

Rafaela abriu a conversa explicando que inclusão social deve ser entendida como um processo de garantia de direitos — independente de raça, gênero, condição socioeconômica, deficiência, idade ou qualquer outra característica individual.

“É tratar o indivíduo na sua individualidade, garantindo sua participação plena na sociedade”, ressaltou.

Para ela, inclusão não é assistencialismo, mas sim autonomia. “Cada política pública atua na sua área para que a pessoa supere vulnerabilidades e consiga caminhar com independência.”

Desinformação sobre direitos ainda é um obstáculo

Rafaela destacou que muitos cidadãos não sabem que têm direitos garantidos por lei. Nesse cenário, o papel dos profissionais da assistência, dos meios de comunicação e do próprio Estado é fundamental:

“Nós somos veiculadores de conhecimento. Muitas pessoas não sabem que um exame, uma consulta ou um benefício está disponível pelo SUS ou por outra política pública.”

Inclusão não é apenas para quem é pobre

A assistente social enfatizou que inclusão social não está restrita à vulnerabilidade econômica:

“Inclui idosos, pessoas com deficiência física ou intelectual, mulheres, mães solo, questões de gênero, entre outros aspectos. É amplo.”

Direitos: conquista, não modismo

Questionada sobre o aumento de debates sobre direitos, Rafaela foi categórica:

“Direito é sempre fruto de luta. Se existe hoje, é porque houve necessidade e movimento social lá atrás.”

O Brasil envelhece e políticas precisam acompanhar

Com a mudança da pirâmide etária e o aumento da longevidade, Rafaela explica que o país caminha para se tornar um país de população majoritariamente idosa. Isso exige atualização constante das políticas sociais.

“As pessoas vivem mais e com mais qualidade. As demandas mudam, e os serviços precisam acompanhar.”

Programas como Bolsa Família e tarifa social: essenciais para quem precisa

Sobre benefícios como Vale-Gás e tarifa social de energia, Rafaela defende:

“Para quem realmente precisa, faz toda a diferença. Uma mãe solo com três ou quatro filhos depende desse apoio para garantir o mínimo.”

Ela também reforça que abusos existem, mas que a solução também passa pela consciência da população:

“Reclama-se da corrupção, mas muitas vezes falta honestidade nas pequenas coisas.”

O medo de perder o benefício ainda impede muitas famílias de buscar trabalho

Rafaela confirma que é comum encontrar pessoas que recusam emprego formal para não perder o Bolsa Família. Ela tenta orientar sempre:

“O trabalho garante INSS, autonomia e futuro. O benefício é um apoio momentâneo.”

Casa Abrigo e inclusão

Na Casa Abrigo, onde trabalha há seis anos, afirma que crianças e adolescentes acolhidos também têm direito à participação social:

“Eles têm direito ao lazer, à convivência comunitária, à escolha de crença. Estar acolhido não os exclui da sociedade.”

Assistente social: a ponte entre direitos e cidadãos

Rafaela reforça a importância da profissão, que cresceu muito nas últimas décadas:

“Estamos no hospital, na escola, no sistema prisional, no lar de idosos. Não olhamos a pessoa pelo crime ou pela situação, mas pelo que ela é: cidadã com direitos.”

Para ela, o diferencial do assistente social é o conhecimento técnico aliado ao acolhimento:

“Ouvir qualquer pessoa pode ouvir. O que nos diferencia é saber orientar, encaminhar e garantir direitos.”

Avanços da assistência social

Rafaela comemora o crescimento da política pública:

“Hoje é mais democrático, mais humano. Há leis, portarias e serviços estruturados para garantir dignidade.”

 

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