Dia da Visibilidade Trans reforça debate sobre respeito, união e políticas públicas

Entrevistada: Gleice Silva, coordenadora LGBTQI+ em Mato Grosso do Sul

29 JAN 2026 Por Nilda Telles 14h17

Em entrevista concedida à Rádio JFM, a coordenadora LGBTQI+ de Mato Grosso do Sul, Gleice Silva, falou sobre os desafios enfrentados pela população trans, a persistência do preconceito e a necessidade de mais união, respeito e políticas públicas efetivas. A conversa ocorreu no Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro.

Ao ser questionada sobre a importância de entrevistas, manifestações e ações públicas para combater o preconceito, Gleice afirmou que a discriminação ainda existe, mas ressaltou que parte do problema está dentro da própria comunidade.

“O preconceito ainda existe, sim. Mas muitas vezes ele vem de nós mesmos. Falta união. A gente não trabalha como parceria, e isso enfraquece a luta”, afirmou.

Segundo ela, a ausência de união entre pessoas LGBTQI+ contribui para a manutenção da discriminação e dificulta avanços concretos. Gleice defendeu que o combate ao preconceito passa pela construção coletiva, pelo diálogo e pelo respeito mútuo.

Durante a entrevista, a coordenadora também criticou o formato de algumas paradas e manifestações, defendendo que o foco deveria ser maior em saúde, conscientização e políticas públicas, e não apenas em exposição.

“Precisamos falar de direitos, de saúde, de respeito, de igualdade. Muitas vezes quem realmente quer discutir essas pautas acaba não aparecendo”, avaliou.

Gleice destacou ainda que ser uma mulher trans não é uma escolha momentânea, mas algo que faz parte da identidade desde a infância.

“A gente não acorda um dia e decide ser trans. Quem é, já nasce sendo. É algo que está dentro da gente desde muito cedo”, explicou.

Ela também abordou as diferenças entre identidade de gênero e orientação sexual, reforçando a importância da informação correta para evitar confusões e preconceitos.

Ao falar da realidade local, Gleice estimou que Aparecida do Taboado tenha atualmente entre 20 e 25 pessoas trans, mas lamentou a falta de organização e de espaços coletivos de apoio.

Apesar das dificuldades, a entrevistada ressaltou avanços importantes, como o uso do nome social em serviços públicos e maior respeito no atendimento em instituições de saúde. Ela também destacou seu trabalho social no município, com ações solidárias voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade.

“O respeito começa nas pequenas coisas. Não precisa gostar, mas precisa respeitar. Um bom dia, um cumprimento, já fazem diferença”, pontuou.

Em suas considerações finais, Gleice agradeceu à Rádio JFM pelo espaço dado às minorias e reforçou a importância de continuar lutando por igualdade.

“Nós ainda somos minoria, mas temos voz. E enquanto tivermos voz, precisamos usar para fazer o bem, lutar por respeito e por direitos iguais.”

A entrevista marcou o Dia Nacional da Visibilidade Trans como um momento de reflexão, conscientização e reforço da luta por dignidade, respeito e inclusão.

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