Biólogo alerta para aumento de escorpiões e orienta sobre prevenção e riscos à saúde

Entrevistado destaca período crítico, mitos comuns, cuidados dentro de casa e importância da ação conjunta entre poder público e população

02 FEV 2026 Por Nilda Telles 15h01

Com a chegada dos meses mais quentes, cresce o risco de acidentes com animais peçonhentos, especialmente escorpiões. O alerta foi feito pelo biólogo André de Freitas da Silveira, em entrevista à Rádio Jota FM, ao explicar que os meses com temperaturas elevadas concentram o maior número de ocorrências envolvendo escorpiões e serpentes.

Segundo o especialista, ambientes com entulho, madeira, restos de materiais, locais escuros, quentes e úmidos favorecem a proliferação desses animais. Ele reforçou que a presença de baratas, principal alimento do escorpião, pode ser um sinal de alerta para infestação. “Quando há excesso de uma espécie, é indicativo de desequilíbrio ambiental”, explicou.

Durante a entrevista, André esclareceu mitos comuns, como a crença de que criar galinhas elimina escorpiões. De acordo com ele, a eficácia só ocorre em quintais limpos, sem entulho, já que o escorpião tem hábito noturno e a galinha é diurna. Outro ponto destacado foi o uso indiscriminado de veneno, considerado ineficiente e perigoso, pois o estresse químico pode estimular a reprodução assexuada do escorpião amarelo, aumentando ainda mais a infestação.

O biólogo também alertou que crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas fazem parte do grupo de risco, devido à menor resistência ao veneno. Ele reforçou que nem todo acidente exige soro antiescorpiônico, sendo a decisão sempre médica, após avaliação clínica.

Entre as medidas preventivas recomendadas estão manter quintais limpos, vedar ralos, afastar camas das paredes, usar vaselina nos pés das camas, além de atenção redobrada em terrenos baldios e durante limpezas. André defendeu ainda a coleta manual de escorpiões, especialmente à noite, com uso de lanternas UV, prática já adotada em outros municípios e que contribui para a produção de soro em institutos como o Butantan.

Ao final, o biólogo ressaltou que a convivência equilibrada com a natureza é essencial e que a prevenção depende tanto do poder público quanto da conscientização da população. “Esses animais salvam mais vidas do que tiram, quando entendemos seu papel e sabemos como agir”, concluiu.

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