O conhecimento gerado em Mato Grosso do Sul nos últimos seis anos para preservar as onças-
pintadas do Pantanal está sendo levado para outros biomas brasileiros.
O projeto Felinos Pantaneiros, que atua desde 2016 em fazendas pantaneiras e em áreas de
preservação ambiental da Serra do Amolar, também vai monitorar e acompanhar as onças-
pintadas dos biomas da Caatinga e da Amazônia.
Desde que foi implantado nas fazendas e nos parques da Rede Amolar, área de 302,9 mil
hectares que conta com a atuação do Instituto do Homem Pantaneiro (IHP) em ações de
proteção, o projeto Felinos Pantaneiros levou à comunidade ribeirinha, aos produtores rurais e aos
frequentadores da região ações de manejo que minimizam os problemas causados pela predação
de gado por grandes felinos, além da predação de lavoura por porcos silvestres.
“Nosso objetivo é assegurar as melhores práticas e harmonizar a atuação dos setores da
produção e da conservação”, explica o diretor-presidente do IHP, coronel Ângelo Rabelo.
Atualmente, além dos 302 mil hectares, o projeto Felino Pantaneiros também atua na fazenda
BRPec, propriedade de 132 mil hectares no Pantanal de Miranda.
Lá, as ações de preservação consistem na distribuição de refletores que inibem a aproximação
das onças-pintadas em cães de guarda das fazendas e também na instalação de cercas elétricas
na fazenda, além, claro, da conscientização de trabalhadores rurais, gerentes das propriedades,
entre outros integrantes da cadeia produtiva.
“Por causa das nossas ações em parceria com o ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação
da Biodiversidade] e com o Cenap [Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos]
agora atuamos em um projeto na Serra da Capivara, na Caatinga, e também na Reserva Biológica
do Gurupi, no Maranhão, já no Bioma Amazônico”, explica o médico-veterinário Diego Viana, que
coordenada o projeto Felinos Pantaneiros, do IHP.
Nesses biomas, Diego e seus colegas veterinários do IHP atuarão na captura das onças e no
acompanhamento de seus passos, seja por meio de rastreadores, seja por monitoramento visual.
Atualmente na Serra do Amolar, o IHP monitora duas onças-pintadas, o Guató e a Jou Jou qur foi a
última socorrida durante os incêndios de 2020.
Na Caatinga e na Amazônia, Diego Viana certamente atuará com felinos menores que os que
vivem no Pantanal, até porque os que vivem aqui em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são
maiores, com 150 quilos em média para os machos, que são maiores, enquanto as onças da
Caatinga, pesam em média 80 quilos (exemplares machos).
CONVÍVIO
Diego Viana conta que depois que o diálogo com produtores rurais e comunidades ribeirinhas foiacentuado por meio do projeto Felinos Pantaneiros, a convivência com os felinos melhorou.
“Muitos mitos de que as onças preferem bezerros ou atacam animais domésticos por preferência
caíram. Estes felinos sempre preferem os animais silvestres. É deles que eles se alimentam.
E também muito raramente atacam humanos, a não ser em uma situação de defesa”, explica Viana,
que acrescenta que o objetivo é acabar com notícias falsas, que só prejudicam as onças-pintadas.
“Há muitas notícias falsas. Dias atrás, nos disseram que uma onça atacou e matou uma família.
Era mentira, até porque, em um caso desse, somos nós que fazemos o atendimento. Notícias
como essa criam uma situação de alerta desnecessária na população”, disse.
PARCERIA COM A GM
No Pantanal de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, para o monitoramento das onças-pintadas,
o IHP utiliza recursos da iniciativa privada para proteger os felinos da região.
Existem parcerias com a fazenda BRPec, propriedade do grupo BTG Pactual, e também, mais
recentemente, com a General Motors, que está ajudando o projeto Felinos Pantaneiros
financeiramente e também com apoio logístico.
Por causa da atuação dos veterinários, dos biólogos e dos ambientalistas do IHP e outros
parceiros na preservação das onças, a presença do felino – que continua classificado como
espécie ameaçada pelo Ministério do Meio Ambiente – permanece estável na região.
Na Serra do Amolar, que é um dos locais de forte atuação do projeto Felinos Pantaneiros, a
densidade da onça-pintada é de 8,3 animais por 100 km², a segunda maior das Américas e,
consequentemente, a segunda maior do mundo, uma vez que este felino, o jaguar ou a onça-
pintada, é exclusivo dos três continentes ocidentais.
A região com maior densidade é Porto Jofre (MT), que também é acompanhada pelo IHP.
A estimativa mais recente – que é de cinco anos atrás – é de que 5 mil onças-pintadas habitam o
Pantanal.
SAIBA
Como agir ao se deparar com uma onça?
Em primeiro lugar, não saia correndo, porque a onça é mais rápida que você, e também não tente
subir em uma árvore ou sair nadando, a onça é uma excelente nadadora e é um dos animais mais
ágeis para subir em árvores. O recomendado é que o humano permaneça em pé, olhando a onça
nos olhos, até que um dos dois se afaste lentamente.




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