Quero ser mãe, mas e a minha carreira profissional?

Mulheres contam como se prepararam para conciliar carreira e maternidade

25 ABR 2023 Por Diógenes Ferracini Duarte 12h40

No próximo dia 14 de maio, será mais um domingo de Dia das Mães e, entre muitas, essas três mulheres vão passar a data experimentando as novas emoções que a maternidade proporciona. A chegada dos bebês provoca mudanças em outro ponto de muita importância para as recém-mamães: a carreira profissional.

“Quando engravidei fiquei com medo de contar para minha gestora, por conta do que vemos acontecer em tantos lugares: a falta de empatia e respeito com a mulher a partir do momento que ela se torna gestante. Lembro-me de que pensei em esperar o primeiro trimestre passar pra poder contar, mas fiquei com medo de ter alguma complicação, ter que ficar pedindo saídas sem poder justificar o porquê”, relembra Débora Matos Figueiredo de Melo, 28 anos, analista de garantia da qualidade e grávida de quatro meses.

O anúncio da novidade no local de trabalho gera muitas expectativas e medos para as mulheres trabalhadoras.  “O medo de como seria a recepção da notícia e o fantasma de uma possível substituição, no retorno da licença maternidade, me fizeram postergar ao máximo essa conversa”, afirma Ana Maria Silva de Oliveira, de 34 anos, farmacêutica e gestante de cinco meses.  

“Sempre nos preocupamos com diversos preparativos relacionados ao nascimento de um filho: preparar a casa, fazer o enxoval, pré-natal..., mas tinha alguém completamente desamparada e perdida durante todo esse processo: a mulher profissional. Como seria o meu retorno ao trabalho depois da licença-maternidade? Essas dúvidas alugaram um triplex na minha cabeça e vieram acompanhadas de todas as inseguranças e traumas que eu tinha adquirido durante meu caminho profissional”, pontua Amanda Karla, 34 anos, farmacêutica Industrial e mãe da Luna de um ano.

A maternidade, por vezes, vem como uma escolha para a mulher, entre filhos e carreira, entre esperança e medo. Muitas vezes as mulheres carregam um sentimento de culpa, por supostamente, estar falhando como mães, ou profissionais. São sentimentos ambíguos, entre a carreira e a maternidade, mas será que é preciso ser desta maneira?

Essas três mulheres têm em comum o fato de terem buscado aconselhamento profissional para viver essa fase tão especial  de forma harmônica com sua carreira.

“Não é preciso ter sofrimento e angústias, é necessário acolhimento e autoconhecimento! É possível que a mulher que será mãe se prepare emocional e profissionalmente para essa nova etapa da vida. Sabemos que quando nasce um filho, nasce uma mãe e consequentemente uma outra mulher. Compreender as mudanças, planejar e fazer um acompanhamento profissional podem contribuir para deixar esse período de transição mais tranquilo, leve e seguro”, afirma a mentora em carreira, Richely Tamura.

Profissionalmente, a primeira orientação da especialista é para o momento da comunicação sobre a gravidez aos gestores. “Comunicar a importância do momento para a vida pessoal e demonstrar que há planos para a área profissional. Se antecipe e leve um planejamento com algumas ações que vão facilitar essa transição até o retorno da licença-maternidade. Por exemplo, já leve para a conversa a sugestão de nome da pessoa que pode ser treinada para ficar com as suas funções enquanto estiver ausente e organize um cronograma de como será feita essa transferência de atribuições”, enumera Richely.

“É fato que não retornaremos ao mercado de trabalho da mesma forma como saímos para o nascimento de um filho. A gente muda e o mercado de trabalho também muda para nós, incluindo novos desafios, rotina, julgamentos e preconceitos que uma mãe sofre no mundo corporativo. A ajuda de identificar o motivo das minhas inseguranças, revisitar todos os momentos da minha carreira identificando o que deu certo e o que deu errado, e, principalmente, a confirmação de que a maternidade tinha contribuído para que eu desenvolvesse novos pontos fortes foram a base que eu precisava para construir uma nova versão de mim mesma”, conclui Amanda depois da mentoria de carreira e já de volta às funções profissionais.

A mentoria de carreira especificamente para as mamães é realizada para criar estratégias para o retorno da licença-maternidade, avaliar o mercado, construir um plano de carreira e as novas possibilidades a curto e longo prazo. Além de rever as potencialidades e habilidades desenvolvidas com a maternidade.

“Ser mãe não significa ter que abrir mão da profissão. Quando você se conhece e sabe o que quer, os caminhos são menos dolorosos, mais curtos e certeiros”, conclui Richely.

Sobre Richely Tamura – atua para o desenvolvimento humano com mentorias de carreira e liderança. Formada em farmácia, gestão de pessoas e análise comportamental, por quase duas décadas trabalhou na indústria farmacêutica e com menos de 30 anos assumiu o primeiro cargo de gestão. Vivenciou a própria transição de carreira e com ferramentas de coaching e mentoring, há quatro anos, ajuda e orienta outros profissionais a serem protagonistas da própria carreira. 

Para conhecer mais, visite o perfil @richelytamura no Instagram

Saiba mais, ouvindo o podcast abaixo.

 

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