Sem receber, empresa que administra leitos no Hospital da Vida ameaça parar

14 MAR 2021Por Dourados Agora10h18

A empresa Mediall Brasil S/A, que presta serviços hospitalares ao Hospital da Vida, em Dourados, anunciou nesta sexta-feira (12), o fim dos trabalhos na unidade que atende 33 municípios da ‘Grande Dourados’, a partir do próximo dia 23 de março.

Nas redes sociais, a vereadora Lia Nogueira, que integra o mesmo partido do prefeito Alan Guedes (PP), questionou o município sobre como ficará o atendimento no HV, e deu um prazo de 24 horas para que o chefe do Executivo, o secretário de Saúde, Frederico Wessinger, e o novo diretor-presidente da Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde de Dourados), Jairo José de Lima, se posicionem.

Ofício protocolado por ela, questiona: "qual o motivo do encerramento das atividades da equipe Mediall Brasil? Por que a prefeitura de Dourados, por meio da Funsaud não renova o contrato, já que a empresa vai permanecer atendendo até o dia 23 de março? Como fica a situação da saúde de Dourados em pleno período crítico da pandemia do Novo Coronavírus?Não renovando o contrato, qual a solução que o município dará ao problema em resposta para não prejudicar a população de Dourados?", questiona Lia.

Segundo ela, o ofício tem caráter de urgência, porque a Mediall Brasil atende leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva] destinados à Covid-19. A vereadora também levanta a hipótese de um "colapso ainda maior, principalmente neste momento mais crítico da pandemia do Novo Coronavírus que estamos vivendo", afirma.

O Hospital da Vida que já era ‘porta de entrada’ para praticamente todos os tipos de atendimentos médicos não só em Dourados, mas para os municípios do Sul do Estado, enfrenta uma crise séria que se agravou com a pandemia do Novo Coronavírus. Por vezes, funcionários relatam falta de matérias básicos e insumos como luvas e gases. Outro problema, é a dívida milionária da Funsaud – criada em 2014 para gerir o HV e a Unidade de Pronto Atendimento.

E a situação realmente é caótica. No fim de semana, por exemplo, os leitos de UTI/Covid-19 chegaram a 100% de ocupação. Atualmente, a cidade tem 45 leitos ativos, e mais cinco devem ser implantados no Hospital Santa Rita.

O que diz a prefeitura

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da prefeitura, e perguntou sobre o fim do contrato com a empresa, e foi informada que o encerramento está dentro do previsto, uma vez que o mesmo foi firmado sobre a ‘Legislação da Covid-19’, isto é, que até então, autorizava a contratação de prestadoras de serviços mediante dispensa de licitação.

Em nota, afirma também que durante a transição de empresas, não haverá suspensão, nem diminuição dos atendimentos nos leitos de UTI.

"A Funsaud esclarece que o contrato com a Mediall não pode ser renovado em virtude de impossibilidade legal, uma vez que foi assinado com base na legislação da Covid, que prevê contratações emergenciais. Ciente disso, a Funsaud já está providenciando uma nova contratação para suprir as demandas. A Funsaud também esclarece que durante essa transição de empresas prestadoras de serviço não haverá suspensão e nem diminuição dos atendimentos nos leitos de UTI".

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