O Programa de Desenvolvimento da Bovinocultura do Leite (Proleite-MS) foi lançado nesta quinta-feira (10), durante a Expogrande, e tem o objetivo de profissionalizar os pequenos e médios produtores. O Governo do Estado deve investir R$ 9 milhões para impulsionar o setor.
Dados apresentados no evento mostram que 29% dos produtores familiares de Mato Grosso do Sul vivem da pecuária leiteira. Atualmente, o estado produz 190 milhões de litros de leite por ano. A ideia é aumentar essa produção anual em 6 milhões de litros até 2030.
O Proleite-MS foi desenvolvido pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), em conjunto com a Câmara Setorial Consultiva da Bovinocultura de Leite (CSCBL). O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico da Semadesc, Rogério Beretta, foi quem apresentou o projeto ao público.
“O programa traz condições para que eles [produtores] saiam de uma atividade amadora, vamos dizer assim, e passem a exercer uma atividade profissional. Com tecnologia, com assistência técnica, com o recebimento de itens que vão melhorar a genética do rebanho deles e com incentivo financeiro a partir das metas”, explicou Beretta.
Auditório da Acrissul estava cheio para acompanhar o lançamento do programa. | Foto: Saul SchrammNa primeira fase, o programa vai atender cerca de 600 propriedades em 22 municípios da bacia do Rio Paraná. Serão distribuídas 2 mil doses de sêmen (IATFs), 1.200 embriões fêmeas, 276 bezerras, 106 novilhas prenhes e 45 touros reprodutores, visando ao melhoramento genético e ao aumento da produtividade.
O Proleite-MS vai atender os municípios de Anaurilândia, Aparecida do Taboado, Bandeirantes, Bataguassu, Camapuã, Campo Grande, Cassilândia, Selvíria, Dourados, Glória de Dourados, Iguatemi, Inocência, Itaquirai, Ivinhema, Jaraguari, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Paranaíba, Ponta Porã, Sidrolândia e Terenos.
Os benefícios variam de acordo com metas pré-definidas, podendo chegar ao pagamento de 14% sobre o Valor de Referência do Produto (VRP). O Governo do Estado estima pagar quase R$ 35 milhões aos produtores nos dois primeiros anos do Proleite-MS.
Um dos requisitos para aderir ao programa é ter assistência técnica mensal na propriedade, além de fornecer leite para uma indústria com a devida inspeção sanitária oficial. Apenas o assistente técnico pode realizar a inscrição.
O governador Eduardo Riedel (PSDB) participou do lançamento do programa e destacou que o Proleite-MS pode beneficiar todos os setores do sistema de produção. “Eu acho que esse programa, com reconhecimento e pagamento para quem aceitar o desafio, pode transformar Mato Grosso do Sul em um grande produtor de leite”.
Segundo o presidente do Senar-MS, Marcelo Bertoni, a expectativa é dobrar a capacidade diária de produção de leite por vaca, que hoje é de seis litros. “O Senar vai disponibilizar a genética para os produtores, com a inseminação artificial e a transferência de embrião para o melhoramento do gado”.
DECRETO
Uma das medidas anunciadas no lançamento do Proleite-MS foi o Decreto de Apoio à Comercialização de Produtos de Origem Animal, assinado hoje pelo governador Eduardo Riedel.
Governador Eduardo Riedel assinou os convênios para o andamento do programa | Foto: Mateus AdrianoAté então, os pequenos produtores só tinham autorização para vender seus produtos no município onde foram habilitados no Sistema de Inspeção Municipal. Na prática, uma agroindústria não poderia realizar vendas intermunicipais.
“Isso, sob o ponto de vista sanitário, não fazia o menor sentido. Se um produto tem a sanidade adequada para uma população, não há por que ele não poder ser vendido aqui na Expogrande, por exemplo, ou em outro município”, explicou o titular da Semadesc, Jaime Verruck.
Com o novo decreto, os Sistemas de Inspeção Municipais que estiverem de acordo com os padrões da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) poderão comercializar produtos em todo o estado.
“Não foi fácil chegarmos a um consenso sobre essa questão, mas essa medida é muito importante para estimularmos a pequena agroindústria de Mato Grosso do Sul e permitir que esses agroindustrializadores consigam aumentar sua renda”, completou Verruck.

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