Mato Grosso do Sul registrou o maior crescimento da indústria de transformação do país na última década. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que o valor da transformação industrial no Estado aumentou 179% no período. O indicador passou de R$ 12,2 bilhões para R$ 34 bilhões.
O valor da transformação industrial mede a riqueza gerada pela atividade industrial. O cálculo considera a diferença entre o valor total da produção e o custo dos insumos utilizados. O indicador é utilizado para avaliar o desempenho do setor de transformação na economia.
O avanço reflete mudanças na estrutura produtiva estadual ao longo dos últimos anos. A economia, antes concentrada principalmente na produção agropecuária, ampliou a presença da agroindústria e de outros segmentos industriais. O processo incluiu a instalação de novas unidades produtivas e o aumento da capacidade de processamento de matérias-primas.
O Estado também ampliou a participação no setor sucroenergético. Atualmente, Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição nacional na produção de etanol. O Estado também aparece como quinto maior produtor de açúcar e segundo maior produtor de etanol de milho.
O parque industrial ligado à bioenergia reúne atualmente 22 usinas em operação. Três dessas unidades são dedicadas à produção de etanol de milho. Outras três plantas industriais estão em fase de implantação.
O secretário da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, relaciona o crescimento à estratégia de agregação de valor à produção primária. Segundo ele, o modelo combina industrialização da produção agropecuária, inovação tecnológica e investimentos privados.
“O desempenho coloca o setor como um dos pilares estratégicos do desenvolvimento econômico sul-mato-grossense”, afirmou.
O setor industrial também tem avançado na área de energia renovável. O Estado mantém projetos ligados à produção de biocombustíveis e à geração de energia a partir de biomassa. A estratégia integra metas ambientais, incluindo o compromisso de neutralidade de carbono até 2030.
A estrutura produtiva inclui ainda indústrias instaladas em diferentes segmentos. Um exemplo é a operação da Metalfrio em Três Lagoas, voltada à fabricação de equipamentos de refrigeração comercial. A empresa iniciou as atividades no município em 2005 e ampliou a operação ao longo dos anos.
A unidade industrial possui capacidade de produzir até 500 mil equipamentos por ano. A produção atende o mercado brasileiro e países do Mercosul. A operação gera mais de mil empregos diretos no Estado.
Outro exemplo citado no setor sucroenergético é a Usina Sonora, instalada no município de Sonora. A empresa produz açúcar e etanol a partir da cana-de-açúcar. A unidade também mantém geração de energia elétrica a partir da biomassa da cana.
A usina possui capacidade instalada de 150 mil toneladas de açúcar bruto por ano. A produção anual de etanol chega a cerca de 90 mil metros cúbicos. A empresa emprega aproximadamente 1.800 trabalhadores diretos na região.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul, Sérgio Longen, afirmou que o desempenho industrial está ligado ao ambiente de negócios e à atração de investimentos privados. “Estamos construindo há muito tempo esse ambiente de negócios em Mato Grosso do Sul”, disse. Segundo ele, o Estado reúne atualmente cerca de R$ 90 bilhões em investimentos privados em diferentes áreas da economia.
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