Até com armas eleitores do “mito” tomam conta das redes sociais

Pré-candidatura em alta oxigena projetos eleitorais em Mato Grosso do Sul

05 JAN 2018 Por Rádio jota FM/Edson Moraes 18h54

Sidrolândia também tem eleitor na onda bolsonarista. Nas redes sociais, postagens e fotos – até de pessoas armadas -  propagam as ideias do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ). Queiram ou não, o “mito” que seduz e assusta vai influenciar nas eleições estaduais.

As fotos de bolsonaristas portando armas de fogo em poses agressivas já são comuns nas redes sociais, como demonstram postagens de um grupo sidrolandense no Facebook. Em geral, são mensagens de apoio ao pré-candidato a presidente e aos seus conceitos e compromissos, como os de liberar o uso de armas aos civis, combater a ideologia de gênero, acabar com programas sociais (a seu ver, paternalistas) e bloquear a ação de organizações como as dos sem-terra, direitos humanos e pró-indígenas.

Chamado de “Trump brasileiro”, Bolsonaro explora com habilidade midiática o desalento das pessoas frustradas com a falta de respostas a necessidades essenciais como a segurança, a saúde, a justiça tributária e o transporte. Para quem acredita nele, Bolsonaro mudaria este cenário porque não tem meias palavras, é decidido, autônomo, corajoso e ficha limpa. O jeito de ser do “prendo e arrebento” empolga o bolsonarismo, cuja militância já é hoje muito mais ativa e mobilizada até que a do próprio PT.

Ainda não se sabe o que aconteceria num Brasil com Bolsonaro dando as cartas. Porém, é visível o entusiasmo e o assanhamento de seus simpatizantes. Segundo pesquisa recente, ele é um dos políticos de maior influência nas redes sociais, com 4,2 milhões de seguidores no Facebook, acima do ex-presidente Lula (2,9 milhões) e do presidente Michel Temer (580 mil). Nas sondagens de intenção de voto, o deputado do PSC é o segundo, só perde para o petista Lula. Com isso, pode-se afirmar que o bolsonarismo conseguiu aquilo que era exclusividade petista: militância voluntária, mobilizada e pronta para defender seus ideais.

IMPACTO LOCAL –  A tendência é que a ”onda Bolsonaro” avance e até cresça no ano eleitoral. E isso ajudaria, sobremaneira, a alavancar ou turbinar ainda mais as candidaturas alinhadas ao seu projeto presidencial. Em Mato Grosso do Sul, por enquanto nenhuma das prováveis candidaturas ao Governo tem palanque aberto para Bolsonaro. O único que deve aproveitar a onda é o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira (PDT), que é estreante na política e tem um perfil de justiceiro,, tal qual Bolsonaro.

Os outros pré-candidatos – André Puccinelli (MDB), Reinaldo Azambuja (PSDB) e Cláudio Sertão (Podemos) -, independentemente do acervo eleitoral que possuem, não seriam, em princípio, beneficiados pela atenção do eleitorado bolsonarista. Vale mencionar uma liderança local que, mesmo fora da relação de pré-candidatos ao Governo, está com o caminho pavimentado para refazer seus projetos eleitorais: é o ex-deputado estadual Coronel David, que como primeiro suplente ocupou a vaga de José Carlos Barbosinha (PSB) na Assembleia Legislativa até dezembro passado.

Militarista (é oficial reformado da Polícia Militarista e filiado ao PSC de Bolsonaro) e apoiador de suas teses,  David é amigo e cicerone do presidenciável em suas visitas ao Estado. Ganhou dele atenção máxima e compromisso de apoio político e eleitoral. Apeado do mandato,, David pode ser candidato novamente a deputado estadual ou arriscar-se num voo para federal aboletado num balão mitificado do político que anda voando alto.

Só uma dúvida instiga os observadores políticos mais experientes: é não saber ao certo até que ponto as postagens provocadoras e agressivas agregadas ao perfil de truculência de Bolsonaro vão contribuir com a qualificação, a moralização e a pacificação da política brasileira. Esta resposta somente os eleitores poderão dar, em outubro.

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