PSB encolhe e perde atrativo para alianças majoritárias no Estado

Saíram Tereza Cristina, Ayache, Murilo e Barbosinha e cai o poder de fogo eleitoral

03 ABR 2018 Por Rádio Jota FM/Edson Moraes 06h47

A direção nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB) tem razões de sobra para se preocupar com o futuro da legenda em Mato Grosso do Sul. Nos últimos dias do prazo para novas filiações, sucessivas baixas desfalcaram a legenda de seus principais quadros, entre eles o ex-prefeito de Dourados, Murilo Zauith, e o presidente da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores Publicos), Ricardo Ayache.

A revoada socialista sulmatogrossense começou no ano passado, sem traumas, quando a deputada federal Tereza Cristina (MS) pediu sua desfiliação. Ele se antecipou a um processo iminente de expulsão que iria sofrer porque não estava mais acompanhando as orientações do partido e optou por agir com autonomia, garantia que lhe foi dada pelo DEM. Era um desejo comum entre ela e o PSB, ambos não queriam mais conviver sob o mesmo teto.

Com a proximidade das eleições e do prazo para troca de partidos para quem pretende se candidatar – a data-limite é sete de abril -, as insatisfações internas e a expectativa de um alicerce mais adequado a seus projetos levam outras lideranças do PSB a fazer as malas e buscar outro abrigo.

PUXA-FILA - Murilo Zauith puxou a fila. Ex-deputado estadual e federal, ex-vice-governador e ex-prefeito de Dourados, era o presidente regional do partido. Sem mandato desde 2017, quando entregou a Prefeitura à sucessora Délia Razuk (PR), Zauith saiu ao constatar que no PSB não conseguiria permanecer na cena política no mesmo nível em que estava. E decidiu filiar-se ao DEM, apresentando seu nome para disputar cargos majoritários.

Agora anunciam sua despedida do PSB o deputado estadual José Carlos Barbosinha e Ricardo Ayache. O primeiro, que segue Zauith no embarque para o DEM, reacende a chama de um sonho interrompido em 2016, quando retirou seu nome da disputa pela prefeitura douradense para favorecer a candidatura do deputado federal Geraldo resende, que tinha trocado o PMDB pelo PSDB de olho no mesmo objetivo. 

Porém, juntamente com Murilo Zauith, a perda mais sentida no PSB estadual foi mesmo a de Ayache. Depois da boa votação que obteve quando se candidatou ao Senado pelo PT em 2014, o presidente da Cassems abriu seu próprio espaço e vinha pontuando como um dos nomes ideais para as chapas majoritárias. Era o preferido dos principais partidos para vice-governador, senador ou deputado federal. Mas entre arriscar-se numa desgastante disputa eleitoral ou permanecer à frente de uma das mais bem-sucedidas organizações do gênero no país, ficou esta última alternativa.

“Depois de um processo de reflexão profunda, analisando o momento atual, bem como os projetos coletivos que mobilizam os meus compromissos de vida, tomei a decisão de me afastar da política partidária no momento e concentrar todos os meus esforços na gestão da Cassems, que, hoje, tem sob os nossos cuidados mais de 211 mil vidas”, justificou em rede social sua desfiliação do PSB.

E acrescentou: “Na condição de presidente eleito da Cassems, tenho o dever de transferir o melhor de mim para que os servidores públicos de Mato Grosso do Sul tenham uma assistência à saúde de excelência. Temos vários projetos em andamento, como a inauguração do Hospital de Corumbá, a reforma e ampliação do Hospital de Dourados, a ampliação do Hospital de Campo Grande e a expansão dos programas de prevenção, entre tantas outras ações que exigirão total dedicação”, prosseguiu.

Ainda assim, há quem aposte que, com o acúmulo vitorioso na gestão da Cassems e o universo de beneficiários que se beneficiam dos seus serviços e testemunham os avanços, é muito provável que em eleições futuras, ainda mais fortalecido, Ayache seja chamado para retomar seu espaço na política guaicuru.

A partir de agora o PSB precisa repensar sua nova construção política e orgânica, tendo em vista o desafio de sobreviver eleitoralmente após ficar sem alguns de seus mais destacados integrantes. Provavelmente o vereador Carlão Borges, presidente  do Diretório Municipal de Campo Grande e uma das lideranças sobreviventes, esteja trabalhando no sentido de dar ao PSB – como dirigente orgânico no maior colégio eleitoral do Estado – um norte que possa aliviar o impacto causado por essa debandada.

   

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