Nesta segunda-feira, 23 de outubro, o Movimento Popular de Luta (MPL) bloqueou completamente o trecho do km 465 da BR-163, localizado em Campo Grande, próximo à saída para São Paulo. O motivo do bloqueio é a demanda por reforma agrária e a busca por uma reunião com representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Como resultado, a região enfrenta um congestionamento que se estende por quase 10 km.
De acordo com Patrícia Luz, uma das porta-vozes do protesto, moradores que vivem em assentamentos nas proximidades da rodovia deram início à manifestação por volta das 5h30. O propósito principal é fortalecer o papel do Incra e promover a criação de novos assentamentos no estado. Famílias do assentamento Zumbi dos Palmares aderiram ao protesto madrugada adentro, saindo do local por volta das 3h30 para se juntarem ao bloqueio.
O trecho bloqueado foi obstruído com galhos de árvores, faixas e manifestantes. Patrícia afirmou que cerca de 300 famílias residem no acampamento e que desejam estabelecer uma pauta com um representante do Incra nacional que se encontra no estado. Eles demandam o cadastramento das famílias e a aplicação do artigo que permite o assentamento dessas famílias à beira da estrada.
Em determinado momento, diversos motociclistas, a maioria deles trabalhadores de indústrias próximas, receberam autorização para prosseguir. O movimento também permitiu a passagem de ambulâncias do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do Corpo de Bombeiros. No entanto, carros de passeio e caminhões permanecem impedidos de seguir adiante.
Um caminhoneiro, que foi o primeiro a ter a passagem negada, relatou que saiu de Bodoquena com uma carga de cimento destinada a Batayporã, quando os moradores dos assentamentos o alertaram sobre o bloqueio. Ele mencionou: "Começaram a colocar pneus na pista. [Agora], não há alternativa, [a carga] terá que permanecer no caminhão e será descarregada na terça-feira".
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) está presente no local e está em negociações com os manifestantes para obter a liberação da via. Segundo as informações da equipe, o trecho permanece interditado por 5 km de cada lado.

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