Tiago Botelho propõe limite para contratos temporários de professores

Deputado estadual eleito pelo PT também defendeu investimentos em saúde e cultura, criticou problemas na infraestrutura e prometeu visitar os 79 municípios

03 NOV 2026 Por Redação Jota FM 12h18

O deputado estadual eleito Tiago Botelho (PT) apresentou propostas e apontou prioridades para o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul durante entrevista ao programa Ronda do MS, da Rede Jota FM de Rádios, nesta terça-feira (3). Entre os principais compromissos estão mudanças na contratação de professores, ampliação do diálogo com a população e articulação por melhorias na saúde pública.

Eleito com mais de 39 mil votos, Botelho afirmou que pretende concentrar parte do trabalho na educação, mas também atuar em áreas como infraestrutura, desenvolvimento econômico, turismo e cultura.

O futuro parlamentar ainda defendeu uma oposição ao governo estadual baseada na análise de cada proposta, com apoio às medidas que considerar positivas para o Estado e resistência a iniciativas que prejudiquem serviços públicos e direitos dos trabalhadores.

"Não contem comigo para tirar dinheiro da educação, da saúde, do meio ambiente, retirada de direito dos trabalhadores e servidores públicos", afirmou.

Educação e contratação de professores

Uma das primeiras propostas que o deputado pretende apresentar é limitar a contratação temporária de professores a 20% do quadro da rede estadual. Segundo ele, Mato Grosso do Sul tem atualmente mais profissionais contratados temporariamente do que concursados, e os temporários recebem salários inferiores aos dos servidores efetivos.

Botelho defendeu que professores contratados recebam, no mínimo, a mesma remuneração dos concursados. Para ele, a diferença salarial e o excesso de vínculos temporários comprometem a qualidade do ensino e refletem problemas de gestão.

"Primeiro, o professor contratado é a exceção. A regra é concurso público. É assim que determina a Constituição Federal", declarou.

O parlamentar também relacionou a educação às oportunidades de trabalho criadas por grandes empreendimentos e pela Rota Bioceânica. Ele defendeu a ampliação da formação técnica e profissional para preparar trabalhadores do Estado para ocupar vagas em setores que exigem maior qualificação.

Nesse contexto, citou os Institutos Federais como instituições que podem ampliar a oferta de cursos de formação mais rápida, com participação do governo estadual no financiamento e na articulação das iniciativas.

Saúde em Dourados e infraestrutura

A situação da saúde em Dourados foi outro tema abordado durante a entrevista. Botelho afirmou que pretende reunir representantes políticos de diferentes partidos da região para buscar uma agenda com o Ministério da Saúde e discutir alternativas para a UPA e o Hospital da Vida.

Segundo ele, os problemas enfrentados pelo município afetam também moradores de cidades atendidas pela estrutura regional. O deputado eleito criticou a falta de médicos e de vagas para cirurgias e defendeu uma repactuação do atendimento.

"Vamos juntar toda a classe política de Dourados e, ao invés de ficar brigando, conversar com o ministro da Saúde, para ver como é que a gente vai resolver o problema da UPA e do Hospital da Vida de Dourados", afirmou.

Na infraestrutura, Botelho citou a necessidade de discutir a duplicação da BR-060 entre Sidrolândia e Campo Grande, além das condições da BR-163 e das rodovias que ligam o Estado a Corumbá. Ele também defendeu investimentos em ferrovias para reduzir o transporte de minério de ferro por caminhões.

O deputado afirmou que pretende cobrar a aplicação dos recursos do Fundersul e articular melhorias junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Mandato com participação da população

Botelho também anunciou a intenção de percorrer os 79 municípios de Mato Grosso do Sul nos primeiros seis meses de mandato. Durante a campanha, ele visitou 55 cidades e recebeu votos em todas as regiões do Estado.

A proposta é conversar com prefeitos, vereadores, sindicatos, universidades e profissionais de diferentes áreas, independentemente de alinhamento político. Para o deputado eleito, a presença nos municípios é necessária para aproximar a Assembleia Legislativa das demandas locais.

"Nos primeiros seis meses, eu irei conversar com o presidente da Câmara, com o prefeito, nos 79 municípios, porque foi por isso que eu tive voto nos 79 municípios", disse.

Outra iniciativa anunciada é a criação de um aplicativo para permitir que a população acompanhe as votações do parlamentar e apresente opiniões sobre os projetos em discussão. A ferramenta, segundo Botelho, deverá servir como canal de participação de moradores que votaram ou não nele.

Cultura e desenvolvimento econômico

Na área cultural, o deputado reafirmou a defesa de destinar 1% do orçamento estadual ao setor. Ele considera que o investimento deve alcançar artistas e iniciativas locais, especialmente nos municípios do interior, e não ficar concentrado na contratação de grandes atrações.

"Não adianta só trazer grandes atrações que você paga e o artista leva o dinheiro embora. Eu quero que tenha investimento na cena local", declarou.

Botelho também defendeu a diversificação da economia sul-mato-grossense, com maior atenção ao turismo e à economia criativa. Citou o Pantanal, Bonito e a região sul do Estado como áreas com potencial turístico que, na avaliação dele, precisam de mais infraestrutura, fiscalização ambiental e divulgação.

Ao comentar o acidente envolvendo uma barcaça com minério de ferro no rio Paraguai, o deputado eleito cobrou maior fiscalização da atividade mineradora e cuidado com o Pantanal. Ele afirmou que pretende levar o tema à Assembleia e cobrar ações dos órgãos responsáveis.

Distribuição do fundo eleitoral

Durante a entrevista, Botelho também falou sobre a distribuição dos recursos eleitorais dentro dos partidos. Ele informou que recebeu R$ 95 mil do PT para financiar sua campanha, enquanto outros candidatos da legenda tiveram acesso a valores superiores a R$ 1 milhão.

Na avaliação do deputado eleito, a diferença compromete o equilíbrio da disputa entre candidatos de uma mesma sigla.

"A distribuição do fundo eleitoral não pode ser tão desigual porque ela desregula o processo eleitoral", afirmou.

Ao encerrar a participação, Botelho agradeceu aos eleitores e disse que pretende manter o gabinete aberto para receber sugestões e críticas. Ele também ressaltou que o mandato deverá representar pessoas que, segundo ele, não se sentiam contempladas pela atuação política na Assembleia Legislativa.

Assista à entrevista completa:

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