Desastres climáticos levam a saques de R$ 22,4 milhões do FGTS em MS

Ivinhema concentra 72% do valor retirado, modalidade beneficiou 7.305 pessoas em quatro municípios neste ano

22 OUT 2026 Por Deni Silva 09h14

Os desastres climáticos levaram 7.305 trabalhadores de Mato Grosso do Sul a sacar R$ 22,4 milhões do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) por meio da modalidade Saque Calamidade em 2026, segundo dados da Caixa Econômica Federal. Os recursos foram liberados para moradores de Corguinho, Deodápolis, Ivinhema e Rio Negro, municípios atingidos por chuvas intensas, alagamentos, enxurradas e tempestades de granizo.

A modalidade permite acessar o dinheiro das contas do fundo para atender necessidades pessoais, urgentes e graves quando um desastre natural atinge a residência do trabalhador. Nos quatro municípios, os saques ocorreram no contexto de chuvas intensas, enxurradas, alagamentos e tempestades de granizo.

Ivinhema concentra a maioria dos beneficiados. Foram 5.222 trabalhadores e R$ 16,2 milhões retirados, o equivalente a aproximadamente 72% de todo o valor informado pela Caixa para os quatro municípios.

Na cidade, uma tempestade de granizo em maio motivou o reconhecimento estadual da situação de emergência, publicado em junho. Deodápolis também foi atingida por granizo em maio e aparece em segundo lugar no levantamento, tanto em número de beneficiados quanto em recursos sacados.

Corguinho e Rio Negro tiveram a situação de emergência reconhecida pelo governo federal em março. Em Corguinho, o reconhecimento ocorreu depois de chuvas intensas, enxurradas e alagamentos que atingiram a região.

Origem do dinheiro

Os valores retirados pertencem aos próprios trabalhadores e estavam depositado no FGTS. A liberação por calamidade permite antecipar o acesso a esses recursos nas condições previstas para a modalidade, sem representar um benefício adicional pago pelo governo.

O limite é de R$ 6.220 por conta de titularidade do trabalhador, conforme o saldo disponível. Por isso, a autorização para sacar não significa que todos recebam o valor máximo.

A solicitação depende da habilitação do município junto à Caixa e da comprovação de que o trabalhador reside na área afetada. A regra geral também exige intervalo mínimo de 12 meses entre um saque por calamidade e outro.

Os desastres que podem permitir a retirada incluem enchentes, enxurradas, alagamentos, granizo, vendavais e outras tempestades. Também estão previstas situações como deslizamentos e rompimento ou colapso de barragens com movimento de massa e danos a residências.

O pedido pode ser feito pelo aplicativo FGTS, na opção de saque por calamidade pública. O trabalhador deve selecionar o município, informar os dados da residência e encaminhar os documentos exigidos para análise. A disponibilidade e o prazo para solicitar dependem da habilitação de cada localidade.

Entre os documentos estão identificação pessoal e comprovante de residência em nome do trabalhador, emitido nos 120 dias anteriores à decretação da emergência ou calamidade. Quando o comprovante estiver em nome do cônjuge ou companheiro, é necessário apresentar certidão de casamento ou escritura pública de união estável.

Na ausência de comprovante de endereço, a Caixa prevê alternativas de declaração, sujeitas à validação. A instituição analisa a documentação antes de liberar o dinheiro, que pode ser creditado em conta bancária indicada pelo trabalhador.

Trabalhadores beneficiados; Foto: Reprodução 

Tags

Leia Também