Um assassinato covarde abalou Três Lagoas na tarde de domingo, 14. Halley Coimbra Ribeiro Juqueira foi morta a tiros na cozinha de sua casa. O suspeito, seu ex-marido Renato Bastos Ottoni, 63, fugiu, provavelmente para São Paulo. As polícias dos dois estados o procuram e contam com denúncias anônimas para localizá-lo.
Acusado e vítima eram bastante conhecidos na região. Por vários anos protagonizando reportagens de destaque nas pautas de economia, Renato Bastos Ottoni é agora personagem das páginas policiais. Segundo sua filha adotiva, uma adolescente de 15 anos, foi ele quem matou a ex-mulher, e mãe da garota, com três tiros, que lhe atingiram o ouvido, as costas e a cabeça. A jovem estava em seu quarto e ouviu os tiros e gritos da mãe, pedindo para que o ex não atirasse.
Além da adolescente, que é adotiva de Ottoni, outras duas filhas do casal – uma de dois anos e uma de cinco - estavam na residência na hora do crime. A menina de 15 anos contou que foi agredida por ele, que deixou a casa dirigindo o carro da ex-mulher. Na cidade, não era segredo que Ottoni se recusava a aceitar a separação de Halley, consumada havia dois meses. Ele, segundo testemunhas, a assediava constantemente tentando reatar. Ela tinha 38 anos.
POSIÇÃO SOCIAL - Ottoni foi por vários anos gerente-geral da Fibria, uma das maiores indústrias de celulose do mundo. Graças ao cargo, ganhou influência nos meios sociais e políticos, ocupando espaços generosos na mídia. Foi aquinhoado com homenagens da Câmara e de entidades civis. Conviveu com políticos e empresários do primeiro escalão.
Em maio de 2017, por exemplo, Ottoni era um dos principais representantes da Fibria que comemoravam, naquele mês, um feito histórico da indústria: 10 milhões de toneladas de celulose produzidas na unidade treslagoense depois de oito anos de atividades. Para ter uma ideia da dimensão desta fábrica, a Fibria foi inaugurada em 2009 com capacidade para a produção de 1,3 milhão de toneladas/ano de celulose de eucalipto.
Depois, a Fibria lançou a nova planta, de expansão, o projeto Horizonte 2, investindo R$ 7,5 bilhões para produzir 1,9 milhão de toneladas/ano. Isso totalizaria 3,2 milhões de toneladas anuais do produto. Ottoni deixou a empresa em agosto, três meses depois de alcançada a marca histórica.
Três Lagoas fica na divisa com São Paulo. Nos dois estados, separados pelo Rio Paraná, é cada vez mais numerosa a rede de internautas ocupando as mídias sociais com apelos para localizar e denunciar o paradeiro de Renato Ottoni. Segundo Rhafaella Rhaynes, irmã da vítima, quando Otonni fugiu estava utilizando uma Crevrolet Cruze cor prata. Presume-se que já se tenha desfeito desse veículo.
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