O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) decidiu carregar o tom das cobranças ao governo federal para que melhore ao máximo o controle das fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, principais portões do narcotráfico e do contrabando de drogas e armas.
Preocupado com os levantamentos oficiais que apontam uma procura cada vez maior de Mato Grosso do Sul para as atividades do crime organizado, Azambuja não esperou por audiências ou expedientes oficiais. Foi objetivo: fez da “Folha de São Paulo” o espaço provincial para cobrar a responsabilidade do Governo Federal no controle das chamadas “fronteiras secas”.
O artigo, publicado na terça-feira passada, 16, chama a atenção para o incremento das ações do crime organizado na região e propõe o emprego de todos os efetivos policiais da União (PF e PRF, especialmente) para “fechar” as passagens utilizadas para a entrada e saída de entorpecentes, armas e outras mercadorias contrabandeadas. Ao informar que o Estado desembolsa, em média, R$ 127,3 milhões anuais com os detentos enquadrados por tráfico, Azambuja considerou inócuo construir presídios ou mobilizar as forças de segurança nos centros consumidores se não houver controle eficiente das fronteiras.
“Se todos os policiais deslocados para vigiar as fronteiras estivessem nas ruas das cidades, certamente as estatísticas de furtos, roubos e homicídios não seriam tão alarmantes”, deduziu o governador. E sentenciou: “O Brasil precisa de nova política de segurança pública, buscar uma estratégia que possa quebrar os elos da criminalidade, compreendendo que os custos de manutenção da atual massa carcerária, em apenas sete meses, seriam suficientes para construir um novo presídio. É preciso haver ações sociais. Não temos dúvida de que a solução está em reduzir a criminalidade e impedir que a droga e a arma atravessem nossas fronteiras”.
BALANÇO - O Ministério da Justiça desencadeou em julho de 2017 a Operação Égide. Sua principal executora, a Polícia Rodoviária Federal, apoiada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, intensificou a repressão ao tráfico de armas, drogas, cigarros e outros produtos, cujos resultados atestam as razões elencadas por Azambuja. Em 250 dias, a operação prendeu 10.173 presas em flagrante ou em cumprimento de mandado e apreendeu 156 toneladas de maconha e 3,5 toneladas de cocaína e crack, além de 672 armas de fogo, 119.426 munições de diversos calibres, inclusive fuzis, e 3.512.959 pacotes de cigarros falsificados ou importados clandestinamente.
As intervenções policiais foram realizadas em três etapas simultâneas nas rodovias federais que cruzam estados de fronteira com a Bolívia, Paraguai e Argentina (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul); nos grandes corredores rodoviários (Goiás, São Paulo e Minas Gerais); e no Rio de Janeiro. Quase 500 agentes extra foram mobilizados para apoiar esta operação, junto com o efetivo da PRF nestes estados.
Em Mato Grosso do Sul, de 2012 a 2017 as Polícias Militar, Civil e Departamento de Operações de Fronteira (DOF) registraram um aumento de 87 toneladas para 427 toneladas de drogas apreendidas. No Estado, o número de presos por tráfico e por crimes transnacionais (contrabando, por exemplo) chegou a 7.246 pessoas. Com isso, a população carcerária alcançou um total de 7.246 indivíduos em presídios estruturados para comportar até 16.224 reclusos.
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