Defensor público Helkis Clark Ghizzi é preso por suspeita de integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital) na manhã desta terça-feira (14), após cumprimento de mandado expedido durante a segunda fase da Operação Courrier, denominada "Maître", pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
De acordo com as investigações, Helkis era conhecido como "mestre" pelos membros da facção.
A prisão preventiva por tempo indeterminado do defensor público foi expedida pelo juiz Eduardo Eugênio Siravegna Júnior, da 2ª Vara Criminal de Competência Residual, nesta segunda-feira (13), após a investigação apontar indícios do envolvimento do mesmo com a associação criminosa. Na manhã desta terça-feira (14), Helkis foi detido quando saía de casa em seu veículo Toyota Hilux no Centro de Campo Grande, onde o mandado foi cumprido. Em seguida, ele foi levado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro, acompanhado por seu advogado, e depois ao Imol (Instituto Médico e Odontológico Legal), para fazer exame de corpo de delito. Helkis permanecerá detido em uma das celas do Presídio Militar.
O Gaeco está investigando crimes de associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e violação de sigilo funcional qualificada, que são atribuídos a um advogado apontado como "gravata" do PCC (Primeiro Comando da Capital), que já se encontra em custódia preventiva, ao defensor público e seu ex-assessor, que também é advogado. O nome da operação "Maître" faz alusão à forma como os outros integrantes da associação se referiam ao defensor público, denominado "Mestre", tratamento conferido aos operadores do Direito.
A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul declarou que "aguarda receber todas as informações a respeito da operação realizada nesta terça-feira". A reportagem não conseguiu contato com o advogado do defensor público Helkis Clark Ghizzi.
De acordo com o Gaeco, as investigações começaram no início do ano passado e apontaram a formação do núcleo "Sintonia dos Gravatas", célula do PCC, na qual advogados valiam-se, criminosamente, de suas prerrogativas constitucionais para transmitirem recados de faccionados presos a outros membros da organização criminosa, inclusive sobre planejamento de atentados contra a vida de agentes públicos, como um juiz e um promotor.
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