Polícia não consegue acessar celular de suspeito no caso Sophia Ocampos.

Juiz determina a transferência do caso para o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e mantém audiência dos acusados para setembro.

14 SET 2023 Por Bruna Teixeira 13h02

Na quarta-feira (13), o juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, tomou uma medida decisiva no caso que chocou a população de Mato Grosso do Sul.

Após a Polícia Civil afirmar não conseguir periciar o celular de Christian Campoçano Leitheim, suspeito de envolvimento no estupro e assassinato de sua enteada Sophia Jesus Ocampo, o procedimento de quebra de sigilo foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público do estado.

O celular de Christian Campoçano Leitheim tem se tornado uma peça fundamental na investigação desse crime brutal. As autoridades estaduais de Mato Grosso do Sul e até mesmo peritos do Paraná não conseguiram acessar seu conteúdo, o que levou o juiz a tomar essa medida extrema. O Gaeco, conhecido por sua expertise na investigação e combate ao crime organizado, assume agora a responsabilidade de desvendar os segredos contidos no dispositivo.

Stephanie de Jesus Da Silva e Christian Campoçano Leitheim, mãe e padrasto de Sophia, já estão presos preventivamente sob a acusação de homicídio qualificado e estupro de vulnerável. A investigação continua a se desenrolar, e o juiz Aluízio Pereira dos Santos também manteve a audiência dos acusados para o dia 28 de setembro deste ano, data que promete trazer novos detalhes à tona.

O caso de Sophia Ocampos, de apenas 2 anos, abalou a comunidade e levantou questionamentos sobre a eficácia das autoridades em proteger as vítimas de violência doméstica. A menina faleceu em 26 de janeiro de 2023, sendo levada já sem vida por sua mãe à UPA do Bairro Coronel Antonino. O médico legista confirmou que a morte ocorreu aproximadamente sete horas antes da chegada ao hospital, e o laudo de necropsia revelou traumatismo na coluna cervical e a confirmação de estupro.

A declaração de óbito apontou a causa da morte como um trauma na coluna cervical que levou ao acúmulo de sangue entre o pulmão e a parede torácica. Além disso, o documento revela que Sophia foi vítima de "violência sexual não recente". Durante sua curta vida, Sophia foi uma frequente visitante das unidades de saúde da capital, com registros de aproximadamente 30 atendimentos médicos, incluindo uma fratura na tíbia.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) iniciou uma investigação para apurar possíveis falhas nos atendimentos prestados à criança. O processo administrativo visa ouvir os servidores públicos da Sesau e, posteriormente, encaminhar todas as informações coletadas à Justiça e à Polícia Civil, conforme informou o secretário Sandro Benites.

Igor de Andrade, companheiro do pai de Sophia, revelou ao g1 que o casal havia tentado obter a guarda da criança, mas um dos obstáculos enfrentados foi a homofobia por parte da mãe da vítima. Esse triste episódio demonstra a complexidade do caso e a necessidade de uma investigação minuciosa para esclarecer todos os detalhes e responsabilidades envolvidas na tragédia que tirou a vida de Sophia Ocampos. O Gaeco agora assume a missão de buscar a justiça que a pequena vítima merece.

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