Pastor em Campo Grande anuncia quermesse ecumênica em junho

Em Sidrolândia, inscrição em símbolo municipal completa sete anos de polêmica religiosa

13 MAR 2018Por Rádio Jota FM/Edson Moraes01h04
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O pastor Mílton Marques, líder do Ministério Pentecostal Tabernáculo da Glória, na contramão de expressiva parcela dos dirigentes evangélicos, vem defendendo a união de credos que reconhecem o poder soberano de Deus. Para isso, no dia 12 de junho, vai realizar o Arraial Ecumênico, para o qual pretende convidar várias igrejas. E enquanto isso, em Sidrolândia, outro pastor evangélico fica no centro de uma polêmica por causa de um símbolo municipal.

Com mais de 10 anos de existência, o MPTG se consolidou no cenário da inclusão social em Mato Grosso do Sul. É uma das instituições religiosas mais efetivas na manifestação da Palavra de Deus em favor das pessoas excluídas, com ênfase no resgate físico e espiritual das vítimas da dependência química.

Sob o apostolado de Mílton Marques, o MPTG, por meio de sua Clínica da Alma, mantém – sem qualquer tipo de auxílio ou subvenção do poder publico – assistência a mais de 200 homens e mulheres em duas chácaras – uma para cada gênero – e na sede da Igreja, próxima ao antigo Terminal Heitor Laburu, ou Rodoviária Velha. É neste local, aproveitando o quadrilátero do seu entorno, que Marques vai realizar o audacioso projeto da Quermesse Ecumênica.

“É preciso que nós, os evangélicos, nos convençamos que não somos donos da salvação. O que temos de fazer é semear o Evangelho, adorar a Deus e amar o próximo mais que a nós mesmos”, recomenda Mílton Marques. Ele já foi dependente químico. Encontrou a cura ao escolher Deus como único salvador. Porém, não se diz dono da verdade. “Dono da verdade é Deus. Eu procuro apenas obedecê-lo”, afirma.

Assim, cada pessoa que consegue libertar-se das drogas e do álcool na Clínica da Alma é uma forma de obediência a Deus. E tem sido muitos os casos de gente que conseguiu sair desse abismo. Nesses mais de 10 anos, centenas de homens e mulheres se reencontram com a família, os estudos, o emprego, a rotina social. Gratuitamente, o MPTG acolhe as vítimas da dependência e fornece abrigo, alimentação (quatro refeições diárias), roupas, medicamentos e estimula atividades laborais. Na chácara masculina há mais de 130 pessoas; na feminina, 60; na igreja, mais de 40.

A ideia do arraial ecumênico teve como ponto de partida um evento realizado no início dos anos 2000, quando a igreja era uma pequena sala na Avenida Calógeras. Na época, aconteceu o primeiro arraial do MPTG e foi um sucesso. “Queremos trazer para a região da rodoviária velha umas 100 igrejas. Pode ser espírita, católica, qualquer credo que se afirme na soberania do nosso único Deus”, reitera.

POLÊMICA - O pastor Adílson Machado de Oliveira, líder da Igreja Evangélica de Sidrolândia (IES), continua querendo emplacar a luta iniciada em fevereiro de 2011, quando mobilizou os fiéis para garantir, segundo suas palavras, que a Prefeitura cumpra as regras do Estado laico. O inconformismo do pastor é com o uniforme, de uso obrigatório nas escolas publicas, que contém o brasão do Município onde foi estampada a inscrição Ave-Maria.

O líder evangélico quer convencer o prefeito Marcelo Áscoli (PSL) a tornar facultativo o uso do uniforme pelos estudantes da Rede Municipal de Ensino. Ele argumenta que boa parte dos alunos é evangélica ou tem outras orientações religiosas. E reforça: se o estado é laico, não pode existir imposição de religiões, principalmente em serviços e ambientes de caráter publico. O pastor Adilson faz questão de garantir que não quer a polêmica ou confrontos religiosos, apenas defende que todas as religiões tenham um tratamento nivelado na igualdade.

A Igreja Católica reagiu, lembrando que a Ave-Maria do brasão é uma inscrição de valor simbólico e histórico, expresso na identificação religiosa do fundador da cidade, Sidrônio Antunes de Andrade, que era católico e devoto de Nossa Senhora da Abadia. A milenar Ave-Maria, inspirada na anunciação bíblica do nascimento de Jesus,  é uma das orações mais importantes e tradicionais da Igreja Católica. Faz referência a Maria, a mãe de Jesus Cristo.

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