Agentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), realizaram na manhã desta terça-feira (7) a Operação Gutenberg para desmontar um esquema investigado por fraudes em compras públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em cidades de Mato Grosso do Sul, além de endereços em São Paulo e Goiás.
Os mandados são cumpridos em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo e Abadiânia. Segundo o Ministério Público, a investigação identificou uma organização criminosa instalada em Campo Grande e com atuação em diversos municípios sul-mato-grossenses.
De acordo com o Gaeco, o grupo era liderado por empresários que atuavam como articuladores do esquema e contava com núcleos definidos. A apuração aponta prática de crimes contra a administração pública, especialmente fraudes em licitação, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais e outros delitos relacionados.
A investigação indica que os envolvidos usavam servidores públicos corrompidos para fraudar e direcionar procedimentos de compras públicas. Um dos focos do esquema era a contratação direta, por inexigibilidade de licitação, para aquisição de livros paradidáticos.
Ainda conforme o Ministério Público, os valores recebidos pelo grupo a partir de recursos públicos passam de R$ 27 milhões. Esse montante, segundo a investigação, era distribuído entre integrantes da organização, servidores corrompidos e pessoas físicas e jurídicas, numa tentativa de ocultar e dissimular a origem ilícita do dinheiro.
Um dos alvos da operação é o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos.
A investigação também encontrou outra frente de atuação do grupo, desta vez na área da saúde pública. Segundo o Gaeco, servidores cooptados eram usados para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais da rede estadual à compra dos livros comercializados pelo esquema.
Esse ponto dá dimensão mais ampla ao caso, porque a apuração não se restringe a contratos suspeitos na área educacional. Conforme o Ministério Público, a influência sobre serviços de saúde colocava procedimentos e atendimentos públicos dentro da lógica de favorecimento ao grupo investigado.
O Gaeco afirma ainda que a organização criminosa seguia em atividade até os dias atuais, com contratos ativos em vários municípios.
A operação teve apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais, o Bope.
O nome Operação Gutenberg faz referência a Johannes Gutenberg, conhecido pela popularização da impressão de livros. Segundo o Ministério Público, a escolha do nome remete ao fato de que, neste caso, os livros teriam sido usados para dar aparência de legalidade ao esquema investigado.
fonte a critica

Operação Gutenberg apura fraudes em compras de livros, corrupção e desvios na saúde pública em Mato Grosso do Sul (Foto: Gaeco/MPMS)
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