Uma falha no projeto ou na montagem da estrutura pré-fabricada está entre as principais hipóteses para explicar o desabamento que matou dois trabalhadores em uma obra de hipermercado no Aero Rancho, em Campo Grande. A avaliação preliminar foi feita pelo CREA-MS durante nova vistoria no local neste sábado (5), acompanhada pela Perícia Científica. Ainda não há uma conclusão sobre o que provocou o colapso.
Segundo o conselheiro Sidiclei Formagini, problemas podem surgir tanto no dimensionamento da estrutura quanto durante a instalação das peças. A etapa de montagem exige atenção porque a estrutura ainda não está totalmente travada e estabilizada. Uma falha nesse processo poderia provocar a perda de sustentação de parte do conjunto e levar ao desabamento das demais peças.
Outra possibilidade considerada é a existência de algum problema no próprio projeto da estrutura. Essa hipótese, porém, só poderá ser confirmada ou descartada depois da análise dos documentos e dos vestígios encontrados no local. “A gente pode partir para algumas possibilidades, pode ser o processo de montagem, pode ser uma falha de projeto e isso é a perícia que vai apontar”, afirmou Formagini.
O conselheiro ressaltou que seria precipitado apontar uma causa neste momento. A estrutura pré-fabricada depende do posicionamento e da fixação correta de cada peça para alcançar estabilidade. Por isso, a perícia deverá analisar tanto o projeto quanto a maneira como a montagem foi realizada.
A fiscalização do CREA-MS também verificou inicialmente a documentação relacionada à obra. De acordo com o conselho, a empresa responsável está registrada e possui profissional habilitado como responsável técnico. Até o momento, os documentos analisados indicam que a obra estava regular.
A documentação ainda deverá ser ampliada com outros registros relacionados à construção. O material será encaminhado à Câmara de Engenharia Civil do CREA-MS para avaliação do caso. A análise poderá ajudar a identificar se houve alguma irregularidade técnica na estrutura ou na execução do serviço.
A Perícia Científica voltou ao local neste sábado para continuar os levantamentos. Desta vez, os trabalhos foram realizados durante o dia, com iluminação natural, para facilitar a análise dos elementos da estrutura que permaneceram no local. A equipe permaneceu cerca de duas horas na obra e deixou o endereço sem comentar o andamento da investigação.
O desabamento aconteceu por volta das 14h de sexta-feira (4), na Avenida Vereador Thirson de Almeida, no Aero Rancho. Dois trabalhadores, de 39 e 41 anos, morreram após caírem de uma altura elevada quando a estrutura perdeu sustentação. Outros dois trabalhadores ficaram feridos e foram encaminhados para a Santa Casa de Campo Grande.
Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que a estrutura do hipermercado desabou. O vídeo mostra as peças cedendo em sequência, em um movimento semelhante a um efeito dominó. A gravação, no entanto, não permite identificar o motivo que provocou o primeiro ponto de ruptura.
A investigação deverá cruzar as imagens, os vestígios encontrados na obra e os documentos técnicos do empreendimento. A análise também deve considerar as condições da estrutura no momento em que ocorreu o acidente. Somente após a conclusão dos trabalhos será possível apontar se o problema começou no projeto, na montagem ou em outra etapa da construção.
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