Câmara reúne 24 assinaturas e avança com CPI do tapa-buracos em Campo Grande

Requerimento de Luiza Ribeiro será analisado pela Procuradoria Jurídica e prevê 120 dias para apurar contratos, investimentos e respostas pendentes do Executivo

17 OUT 2026 Por Redação Jota FM 05h00

A Câmara Municipal de Campo Grande reuniu 24 assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a execução dos serviços de tapa-buracos na Capital. O apoio foi consolidado durante uma reunião realizada na tarde desta sexta-feira (16), após discussões entre vereadores de diferentes bancadas. Apesar da adesão, a comissão ainda depende de análise jurídica e dos procedimentos internos para ser oficialmente instalada.

De autoria da vereadora Luiza Ribeiro (PT), o requerimento prevê prazo inicial de 120 dias para a investigação. Entre os pontos que deverão ser apurados estão possíveis irregularidades em contratos, a redução dos investimentos na manutenção das vias em 2026 e o descumprimento de prazos para respostas a pedidos de informação aprovados pelo plenário. A proposta também busca esclarecer por que os serviços não têm atendido às reclamações recorrentes de moradores sobre as condições das ruas.

A justificativa para a investigação inclui o volume de solicitações encaminhadas pelos próprios vereadores ao Executivo. Dados citados no debate apontam que, das 24.673 indicações apresentadas pela Câmara no primeiro semestre de 2026, quase 9 mil eram relacionadas a serviços de tapa-buracos. O requerimento também questiona a queda dos recursos previstos para a modernização e a requalificação das vias urbanas, cuja dotação passou de mais de R$ 132 milhões em 2025 para pouco mais de R$ 40 milhões em 2026.

O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), afirmou que a articulação reuniu parlamentares em torno da necessidade de investigar o serviço e prestar esclarecimentos à população. Segundo ele, a proposta foi discutida entre os vereadores antes da coleta das assinaturas. “O objetivo é que a CPI seja um instrumento da Câmara Municipal em prol da população de Campo Grande”, declarou.

Com a coleta das assinaturas, o requerimento será encaminhado à Procuradoria Jurídica da Câmara, que deverá emitir parecer sobre os requisitos necessários para a instalação da comissão. Após essa etapa, a Mesa Diretora deverá formalizar a constituição do grupo e definir os integrantes, incluindo presidência e relatoria, conforme a proporcionalidade partidária. A abertura formal da CPI, portanto, ainda depende da conclusão desses procedimentos.

Além do pedido de investigação, os vereadores aprovaram na sessão de quinta-feira (15) a convocação do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão. Ele deverá comparecer à sessão ordinária de terça-feira (20) para prestar esclarecimentos sobre a operação tapa-buracos. A convocação coloca a execução dos serviços e a aplicação dos recursos públicos na pauta de discussão do Legislativo antes mesmo do início dos trabalhos da comissão.

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