A Santa Casa de Campo Grande reduziu atendimentos e suspendeu cirurgias eletivas e consultas ambulatoriais por falta de medicamentos, materiais e outros insumos. Diante da situação, a Prefeitura anunciou um repasse emergencial de R$ 4 milhões para ajudar o hospital a comprar os produtos necessários. O recurso ainda depende da assinatura de um termo aditivo para ser liberado.
A medida foi definida após uma reunião entre representantes da Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria de Estado de Saúde e direção da Santa Casa. O hospital passou a priorizar os casos de urgência e emergência enquanto enfrenta a falta de materiais. A restrição também afeta procedimentos que dependem de equipes médicas específicas.
A situação preocupa principalmente a área de cirurgias cardíacas. Segundo a direção do hospital, há apenas um kit de circulação extracorpórea disponível, reservado para um paciente que já está internado. A unidade informou ainda que não tem condições de receber novos pacientes adultos ou crianças para esse tipo de cirurgia.
Na área pediátrica, a equipe responsável pelas cirurgias cardíacas sinalizou a possibilidade de deixar o hospital. A Santa Casa afirma que esse grupo é o único com esse tipo de atuação em Mato Grosso do Sul. Uma eventual saída pode comprometer ainda mais a oferta desse atendimento pelo SUS no Estado.
Outro problema envolve o pagamento dos profissionais de saúde. Médicos contratados como empresas ou como autônomos estão há quatro meses sem receber, segundo informações repassadas pela direção da Santa Casa. A dificuldade financeira também afeta a composição das equipes responsáveis pelos atendimentos.
Enquanto o dinheiro não é liberado, Prefeitura e Estado montaram uma força-tarefa para acompanhar a situação. Representantes das três instituições terão reuniões diárias para avaliar leitos, serviços disponíveis, materiais e necessidade de atendimento. A equipe também deve estudar a transferência de alguns serviços para outros hospitais.
A Secretaria Municipal de Saúde já procurou outras unidades que atendem pelo SUS para verificar a possibilidade de ampliar temporariamente o número de vagas. A medida busca absorver parte da demanda enquanto a Santa Casa tenta normalizar os serviços. A Prefeitura afirma que novas ações poderão ser adotadas conforme a situação do hospital.



Fachada da Santa Casa de Campo GrandeFoto: Divulgação
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