A intervenção no Consórcio Guaicurus já identificou indícios de problemas financeiros, falhas operacionais e possíveis descumprimentos do contrato de concessão do transporte coletivo em Campo Grande.
As informações foram apresentadas nesta segunda-feira (6) pelos interventores designados pela prefeitura durante reunião com vereadores da Câmara Municipal. O trabalho de fiscalização teve início em 16 de junho e deve ser concluído em até 180 dias.
Entre os primeiros apontamentos estão uma dívida de aproximadamente R$ 20 milhões de uma das empresas integrantes do consórcio, além de frota envelhecida, deficiência na manutenção preventiva e dificuldades na gestão operacional. Segundo a equipe responsável pela intervenção, as constatações ainda são preliminares e serão aprofundadas durante a auditoria técnica e financeira.
O interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira afirmou que a prioridade inicial foi assegurar a continuidade da prestação do serviço à população. "Uma vez estabilizada a prestação de serviço, a gente vai se aprofundar na auditoria contratual e financeira da empresa para verificar eventuais falhas e apresentar as sugestões necessárias para a decisão administrativa", disse.
Ele também destacou que o sistema utilizado pelo consórcio apresenta limitações operacionais. "O sistema é muito antigo, isso gera problemas na operação, na economicidade e até no fluxo interno da empresa", afirmou.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto, o Papy, afirmou que a expectativa da população é por mudanças no transporte coletivo. Segundo ele, o serviço pertence ao município e cabe ao poder público fiscalizar o cumprimento das obrigações assumidas pela concessionária.
"A empresa contratada precisa servir ao Município e ao usuário, e não ao contrário", declarou Papy. O parlamentar acrescentou que, diante do cenário identificado, a intervenção pode resultar na caducidade da concessão, mecanismo que prevê a extinção antecipada do contrato em caso de descumprimento das obrigações.
A relatora da CPI do Transporte Coletivo, vereadora Ana Portela, defendeu maior rigor na fiscalização dos contratos pelas agências responsáveis. Ela afirmou que futuras concessionárias também deverão ser acompanhadas para garantir o cumprimento das cláusulas previstas.
O relatório final da CPI, concluído em setembro de 2025, recomendou a substituição imediata de 197 ônibus com idade superior ao limite contratual, além da intervenção no Consórcio Guaicurus e da análise sobre a caducidade da concessão. A comissão apontou irregularidades técnicas, operacionais e financeiras após mais de 50 horas de oitivas e análise de documentos.
O relatório técnico da intervenção deverá ser entregue em dezembro deste ano. A decisão administrativa da prefeitura sobre o futuro da concessão está prevista para janeiro de 2027.



Informações foram apresentadas pelos interventores designados pela prefeitura durante reunião com vereadores da Câmara MunicipalFoto: Izaías Medeiros
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