Santa Casa suspende cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais por falta de insumos

Hospital mantém urgência, emergência e tratamentos de alta complexidade, mas alerta para possível paralisação de médicos caso crise financeira persista

30 JUL 2026Por Redação Jota FM14h20
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A Santa Casa de Campo Grande suspendeu os atendimentos ambulatoriais e as cirurgias eletivas devido à falta de insumos, materiais cirúrgicos e ao atraso no pagamento de médicos contratados como pessoa jurídica e autônomos. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (29) e atinge procedimentos que não são considerados de urgência.

A direção clínica também alertou para a possibilidade de desligamento coletivo de médicos nos próximos 30 dias caso a situação financeira do hospital não seja solucionada. Segundo a instituição, a decisão busca preservar a segurança dos pacientes e manter condições mínimas de trabalho para as equipes.

De acordo com a direção clínica, a escassez de materiais tornou inviável manter todos os atendimentos sem comprometer a qualidade da assistência prestada. A suspensão foi definida após reunião com os chefes de serviço da unidade.

Os atendimentos de urgência e emergência continuam sendo realizados normalmente. Também permanecem em funcionamento os serviços de hematologia, oncologia e transplante renal, por atenderem pacientes em tratamento contínuo e de alta complexidade.

O possível desligamento de profissionais poderá afetar diversas especialidades. Entre elas estão cirurgia geral, cirurgia pediátrica, cirurgia cardíaca, ortopedia, urologia, cirurgia vascular, radiologia intervencionista, ultrassonografia e psiquiatria.

A direção do hospital informou que comunicou oficialmente a situação ao Conselho Regional de Medicina, ao Ministério Público, à Secretaria Municipal de Saúde e à Secretaria Estadual de Saúde. A expectativa é que os órgãos públicos adotem medidas para evitar o agravamento da crise.

Referência em atendimentos de alta complexidade em Mato Grosso do Sul, a Santa Casa já vinha alertando nas últimas semanas para o agravamento da situação financeira. A instituição afirma acumular uma dívida de aproximadamente R$ 600 milhões e cobra a recomposição dos recursos destinados ao hospital.

Com a suspensão parcial dos serviços, cresce a preocupação com os reflexos na rede pública de saúde. A interrupção das cirurgias eletivas e dos atendimentos ambulatoriais pode aumentar a demanda por outras unidades e ampliar o tempo de espera de pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

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