O Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) determinou a retomada da fiscalização sobre o contrato do transporte coletivo de Campo Grande após o anúncio da venda do Consórcio Guaicurus. A Corte também deu prazo de dez dias para que a Prefeitura apresente as condições impostas à empresa que pretende assumir a concessão. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (24) no Diário Oficial do TCE.
O tribunal quer saber quais exigências serão feitas à futura concessionária, os prazos previstos para implantação das melhorias e as medidas que o município adotará para cumprir obrigações pendentes do Termo de Ajustamento de Gestão (TAG). O despacho foi assinado pelo conselheiro Waldir Neves, relator do processo que acompanha a execução do contrato do transporte coletivo. O documento prevê responsabilização caso as determinações não sejam atendidas.
Segundo a decisão, diversas obrigações assumidas no TAG, firmado há quase seis anos, continuam sem cumprimento. Entre elas estão medidas para fortalecer a fiscalização da concessão, melhorar a qualidade do serviço e estruturar os órgãos responsáveis pelo acompanhamento do contrato. O relator afirma que essas pendências permanecem mesmo após anos de vigência do acordo.
O despacho também cita problemas enfrentados diariamente pelos usuários do transporte coletivo. A decisão menciona ônibus antigos, superlotação, atrasos nas linhas, veículos sem ar-condicionado, além de goteiras, bancos e janelas danificados. Também são apontadas deficiências nos pontos de ônibus e nos terminais de integração.
O TCE ainda destaca a falta de autonomia e estrutura da Agência Municipal de Regulação (Agereg), a ausência de auditorias econômico-financeiras para subsidiar a revisão da tarifa e inconsistências na aferição dos indicadores de qualidade do serviço. O tribunal considera que esses fatores dificultam a fiscalização da concessão. Também reforça a necessidade de renovação da frota e de melhorias na infraestrutura do sistema.
Na decisão, o relator ressalta que a venda do Consórcio Guaicurus não elimina a responsabilidade da Prefeitura pela qualidade do transporte coletivo. Segundo o entendimento do tribunal, a mudança de concessionária deve ser acompanhada de garantias concretas de que os problemas históricos do sistema serão solucionados antes da transferência da operação.



TCE cobra garantias para venda do Consórcio Guaicurus e retoma fiscalização da concessãoFoto: Valdenir Rezende
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