O custo do transporte pode consumir até 60% do valor de venda do milho produzido em Mato Grosso do Sul. No caso da soja, o frete chega a representar até 25% do preço do grão. Os percentuais constam em um estudo sobre logística agrícola divulgado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS).
A análise aponta que a forte dependência do transporte rodoviário é um dos principais fatores para o aumento dos custos de escoamento da produção. Atualmente, cerca de 80% da soja e do milho produzidos no Estado seguem por rodovias. Apenas 2% utilizam ferrovias, enquanto o restante é transportado por hidrovias.
Segundo o levantamento, a concentração no modal rodoviário aumenta a pressão sobre a malha viária e reduz a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses. O estudo também destaca que os modais ferroviário e hidroviário apresentam maior eficiência para o transporte de cargas em longas distâncias. No entanto, a ampliação do uso dessas alternativas depende da expansão da infraestrutura e da oferta de serviços.
Mato Grosso do Sul ocupa posição de destaque na produção nacional de grãos. O Estado responde por aproximadamente 9% da soja produzida no país, ocupando a quinta colocação no ranking nacional. Na segunda safra de milho, participa com cerca de 8,1% da produção brasileira e aparece na quarta posição.
O estudo cita uma série de projetos de infraestrutura previstos para os próximos anos como alternativa para reduzir os custos logísticos. Entre eles estão as obras de duplicação da BR-163, a implantação da Nova Ferroeste, a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai e os investimentos ligados à Rota Bioceânica. Juntos, esses empreendimentos somam previsão de R$ 50 bilhões em investimentos até 2035.
De acordo com as estimativas apresentadas na análise, a execução desses projetos poderá reduzir os custos de transporte em até 26%. A expectativa é de que a diversificação dos modais de transporte aumente a eficiência logística e fortaleça a competitividade da produção agrícola de Mato Grosso do Sul.

Estudo aponta que dependência do transporte rodoviário eleva custos logísticos e reduz competitividade da soja e do milho produzidos no estadoFoto: Marcos Maluf/Aprosoja
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