Produção audiovisual cresce e amplia presença de Mato Grosso do Sul

Investimentos públicos, formação profissional e aumento de produções impulsionam setor, que vive fase de expansão e busca consolidar políticas permanentes

20 JUN 2026Por Redação Jota FM06h15
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O audiovisual de Mato Grosso do Sul atravessa um período de expansão marcado pelo aumento da produção local, pela ampliação de investimentos e pela presença crescente de obras sul-mato-grossenses em festivais e mostras.

O cenário é apontado por profissionais do setor como um dos mais favoráveis dos últimos anos. A avaliação ocorre no momento em que é celebrado o Dia do Cinema Brasileiro, nesta sexta-feira (19).

Nos últimos cinco anos, projetos audiovisuais desenvolvidos no Estado receberam recursos provenientes de diferentes mecanismos de incentivo. Somente por meio da Lei Paulo Gustavo, o montante destinado ao setor ultrapassou R$ 20 milhões. Os investimentos foram complementados por editais estaduais e pela Política Nacional Aldir Blanc.

Neste ano, três editais voltados exclusivamente ao audiovisual disponibilizaram R$ 1 milhão para diferentes etapas da cadeia produtiva. As iniciativas contemplam licenciamento de obras já concluídas, produção de animações inéditas e apoio à participação de produções em festivais. Os processos seletivos seguem em andamento e devem ser concluídos até agosto.

O crescimento da atividade também é percebido pelos organizadores de eventos ligados ao cinema. O produtor cultural Dannon Lacerda afirmou que o número de produções inscritas em festivais locais aumentou significativamente nos últimos anos. “O Festival Curta Campo Grande recebeu, em sua última edição, 32 inscrições de curtas-metragens produzidos em 2024 e 2025, número muito superior ao registrado antes da pandemia”, disse.

Para profissionais da área, a expansão atual é resultado de um processo iniciado antes da chegada dos recursos federais. O cineasta Roberto Leite destacou que editais estaduais e iniciativas independentes contribuíram para a formação da base produtiva existente hoje. “Diversos profissionais já vinham construindo o audiovisual sul-mato-grossense por meio dos editais estaduais, como o FIC, além de iniciativas da iniciativa privada”, afirmou.

Apesar do avanço, representantes do setor apontam desafios relacionados à continuidade dos investimentos. A preocupação envolve a manutenção dos recursos e o cumprimento dos cronogramas de execução financeira dos projetos. “Quando há atrasos nos pagamentos ou insegurança sobre a execução dos recursos, toda a cadeia produtiva é impactada”, observou Leite.

Outro fator citado como decisivo para o amadurecimento da produção local é a formação de profissionais especializados. A criação do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul ampliou a oferta de qualificação técnica. O resultado é o surgimento de novos realizadores e o fortalecimento das equipes de produção no Estado.

A criação da Film Commission de Mato Grosso do Sul também aparece entre as iniciativas apontadas como estratégicas para os próximos anos. A proposta busca atrair produções externas, divulgar locações e ampliar oportunidades para profissionais locais. A expectativa é que a ferramenta contribua para aumentar a participação do Estado no mercado nacional do audiovisual.

Para os agentes culturais ouvidos, o próximo desafio consiste em transformar o crescimento da produção em desenvolvimento sustentável. A ampliação dos mecanismos de distribuição e circulação das obras está entre as prioridades apontadas. A meta é garantir que os filmes produzidos em Mato Grosso do Sul alcancem novos públicos dentro e fora do país.

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