Indústria de carnes de MS multiplica exportações e quase dobra empregos em 20 anos

Setor alcançou recorde de 1,06 milhão de toneladas em 2025 mesmo com mudanças no uso da terra e redução relativa do rebanho

13 SET 2026Por Redação Jota FM07h00
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A indústria de carnes de Mato Grosso do Sul mudou de escala nos últimos 20 anos e alcançou em 2025 o maior volume de produção bovina da série histórica. Foram mais de 1,06 milhão de toneladas, enquanto o setor praticamente dobrou o número de empregos formais no período.

O avanço ocorreu mesmo com a transformação de áreas antes destinadas à pecuária. Parte dessas terras passou a ser utilizada para florestas plantadas, cana-de-açúcar e agricultura, sem impedir o crescimento da produção de proteína animal.

O desempenho também foi acompanhado pela expansão das vendas para outros países. A receita das exportações de carnes bovina, suína e de frango passou de US$ 196,1 milhões em 2006 para US$ 2,47 bilhões em 2025.

O salto representa crescimento de 1.157% no período. A expansão mostra que a indústria sul-mato-grossense ampliou sua participação no mercado internacional ao mesmo tempo em que aumentou a capacidade de processamento.

Segundo a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul, o resultado está ligado principalmente ao ganho de produtividade e à maior escala das operações. O crescimento não ocorreu apenas pela abertura de novas unidades frigoríficas.

A quantidade de trabalhadores também avançou de forma significativa. Os principais segmentos da indústria de carnes empregavam 20.651 pessoas formalmente em 2006, número que chegou a 40.656 trabalhadores em 2025.

Com o crescimento, o setor se tornou o maior empregador entre os principais segmentos industriais analisados pela Fiems. A expansão do mercado de trabalho acompanha o aumento da produção e das exportações.

Mato Grosso do Sul responde atualmente por cerca de 10% de toda a produção nacional de carne bovina. O Estado permanece entre os principais produtores brasileiros, mesmo diante das mudanças ocorridas na atividade agropecuária.

A produtividade ganhou importância justamente em um cenário de transformação do campo. Áreas utilizadas pela pecuária passaram a receber outras atividades, mas a produção de proteína animal continuou avançando.

Para o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, o setor chegou ao ponto mais alto de sua trajetória. Ele destaca que o volume registrado em 2025 nunca havia sido alcançado anteriormente no Estado.

A indústria também ampliou sua capacidade de atender diferentes mercados. A maior presença no comércio internacional reduziu a dependência exclusiva do consumo interno e ajudou a elevar a receita gerada pelas exportações.

O cenário, porém, traz novos desafios para os frigoríficos e demais empresas da cadeia produtiva. A indústria precisa manter os ganhos de eficiência enquanto enfrenta maior concorrência internacional e mudanças na produção agropecuária.

O desempenho da proteína animal faz parte de uma transformação mais ampla da indústria sul-mato-grossense. Nos últimos anos, segmentos como celulose e bioenergia também ganharam espaço na economia estadual.

O resultado de 2025 consolida a indústria de carnes como uma das principais forças da economia de Mato Grosso do Sul. O setor combina recorde de produção, expansão das exportações e geração de empregos em um período marcado por mudanças na ocupação das áreas rurais.

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